Poeta poetinha.
O ser que primeiro cria
Depois tenta viver
Para mais poder criar.
Esqueces, ali atrás,
Teu sofrimento
E largas braços
Num abraço ao mundo.
Corres no parado
E paras quando corres.
O movimento,
Meu querido,
A fluidez,
Minha querida,
Virtude de quem tudo vê.
Poeta do descobrimento
De quem assombra a vida
De tal veste de contemplamento.
Ontem foi chuva
E tanto vistes raiar o sol.
Todos te estranharam ao sorrir
E tu ofuscado pela luz disso
E tudo o mais
Metias o escuro dos óculos
À frente dos olhos.
Perpé-tua sangue
Em melodia poética
E o não do mundo
É de um gozo enorme!
Viver contrariado
Porque se sabe demais
E o encontro é chamado desencontro pelos demais.
Poeta não descansa
Só
Parece (descansar).
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Pobre de mim.
Minha alma em sangue
E eu só quero ver
O belo que a vida é.
Jurar-me segredo não quero,
Sou do mundo e ele que me apanhe
Eu mando-me de qualquer forma!
Aprendi isto tudo com o amor.
Encanto o parvo
Com minha lucidez
E ele logo me preza
E se encontra lúcido
Vendo-me parvo.
Ah, estas e tantas coisas
Que vejo eu não aqui na terra
Mas num tão sem tecto
Que geralmente
Se chama mente.
Falhei no encontro
Mas não na procura.
Essa é minha meta
E como toda a gente sabe,
Há não-meta na procura.
É talvez uma maneira de viver para sempre…
Quem sou eu para dizer?
Apenas procuro e fico-me
Por essa procura
Que não se cansa
Nem me deixa cansar dela.
Alcanço o Rei
E logo ele me faz uma vénia,
Eu a tolero e mando meu
Servo para o trono.
O Rei feliz
De se ver entre a gente,
Começa a dançar, embora
Que não haja música para acompanhar.
O servo, feliz da visão altiva do trono,
Sereniza a existência
Não na avidez pois já chegou ao topo.
E eu, eu, eu estou bem.
Entre um e o outro.
Somos todos um pouco o que somos
Com quem estamos...
E nisto me presto,
Mesmo que acompanhado, a ficar sozinho.
É-me uma coisa visceral
Mas hoje não demais egoísta
Pois aprecio intercepções alheias,
Embora que só se por respeito a mim.
Fico assim
No meio da gente
Sorrindo feito parvo
De estar sozinho
E todos me verem acompanhado.
Minha alma em sangue
E eu só quero ver
O belo que a vida é.
Jurar-me segredo não quero,
Sou do mundo e ele que me apanhe
Eu mando-me de qualquer forma!
Aprendi isto tudo com o amor.
Encanto o parvo
Com minha lucidez
E ele logo me preza
E se encontra lúcido
Vendo-me parvo.
Ah, estas e tantas coisas
Que vejo eu não aqui na terra
Mas num tão sem tecto
Que geralmente
Se chama mente.
Falhei no encontro
Mas não na procura.
Essa é minha meta
E como toda a gente sabe,
Há não-meta na procura.
É talvez uma maneira de viver para sempre…
Quem sou eu para dizer?
Apenas procuro e fico-me
Por essa procura
Que não se cansa
Nem me deixa cansar dela.
Alcanço o Rei
E logo ele me faz uma vénia,
Eu a tolero e mando meu
Servo para o trono.
O Rei feliz
De se ver entre a gente,
Começa a dançar, embora
Que não haja música para acompanhar.
O servo, feliz da visão altiva do trono,
Sereniza a existência
Não na avidez pois já chegou ao topo.
E eu, eu, eu estou bem.
Entre um e o outro.
Somos todos um pouco o que somos
Com quem estamos...
E nisto me presto,
Mesmo que acompanhado, a ficar sozinho.
É-me uma coisa visceral
Mas hoje não demais egoísta
Pois aprecio intercepções alheias,
Embora que só se por respeito a mim.
Fico assim
No meio da gente
Sorrindo feito parvo
De estar sozinho
E todos me verem acompanhado.
Muito mais doce é o incógnito.
Ter o prazer de reconhecer
O desconhecido, que se conhece de vista,
E não o cumprimentar.
Sorrir para si,
Sabendo que com certeza
Ele também me saúda em silêncio.
As almas falam melhor
Assim vivendo por elas
Fora do nosso corpo.
Desconhecer alguém
Que se conhece vestido,
Não por fala mas simples visão.
Há demais beleza no incógnito.
Manter o não conhecido
Desconhecido
Para se poder prestar
A imaginar o mais
Que não é a realidade.
A fala e o encontro
Sempre, ou quase, carecem de espiritual.
Resta-nos o silêncio,
Esse que sempre foi e é
O melhor veículo do espiritual.
Esse ainda há!
Um bem-haja para o silêncio!
Deus de todos os que se apreciam.
Ter o prazer de reconhecer
O desconhecido, que se conhece de vista,
E não o cumprimentar.
Sorrir para si,
Sabendo que com certeza
Ele também me saúda em silêncio.
As almas falam melhor
Assim vivendo por elas
Fora do nosso corpo.
Desconhecer alguém
Que se conhece vestido,
Não por fala mas simples visão.
Há demais beleza no incógnito.
Manter o não conhecido
Desconhecido
Para se poder prestar
A imaginar o mais
Que não é a realidade.
A fala e o encontro
Sempre, ou quase, carecem de espiritual.
Resta-nos o silêncio,
Esse que sempre foi e é
O melhor veículo do espiritual.
Esse ainda há!
Um bem-haja para o silêncio!
Deus de todos os que se apreciam.
Lembro-me dela
Quando de mim sai vida presente
E nu reflicto o passado,
Sempre estridente em mim.
Ela que já nem é quem vejo
Eu em minha mente.
Ela que se esqueceu de Portugal
Dançando o Brasil com seu sangue
Infantil de África.
Nasceu lá (em África)
Ou lá viveu em bebé,
Daí a ter amado.
Porque é chama em corpo de civilizado.
Conseguiu ela que
Gostasse mais dela que de mim.
E gloriosos tempos
Se seguiram a essa primeira entrega.
Não estava sozinho
E de me não interessar demais por mim
Fazia-me liquido artístico
Numa entrega constante
Ás mil e uma texturas do mundo.
O quanto estava eu vivo na altura!
O quanto hoje
Não lembro
A inteireza desse eu
Agora me tão distante.
Fiz dessa vida capricho
Em vários ofícios
Que de tantos parecem
Parecer que continuo tão vivo.
Mas no canto do quarto
Pensando o tédio do tempo
Me reconheço morto desse meu
Outro querido eu.
Dizia-lhe que era Fénix
Mas do abandono dela
Minhas asas se mais não se
Envergaram de envergadura
Máxima.
E vivo eu em sucessiva cinza
Esquecido até de mim.
Será que me pensas ainda?
Não como obtuso ser
Que te tanto entristeceu
Mas como fonte perpétua
De amor e esperança na vida?
És minha e eu sou teu
Até à cova
Ou te ver num outro corpo, continuação.
De tanto demais engenho no som da vida,
O Brasil te fez, com certeza,
Esquecer de mim.
Ou de tão distantes margens
Mais te lembras em precisão
Que estou aqui e ainda vivo teu.
Que me partilho com outras camas
Nos várias quartos por aí,
Mas nenhuma é tão salgada e risonha como a tua.
Presto-me numa
Tão desmesurada exigência
Que se, até tu, me aparecesses à frente
Recebias um insuficiente.
Fiz-te deusa de minha vida
Daí não precisar de religião.
Inventei a minha de directas origens
No meu, eu, sangue.
Aqui vives livre
E sei que te isso afecta a vida, aí no Brasil.
Não te esqueças minha querida:
Se te sentes leve
É porque em mim tanto danças e descansas.
Quando de mim sai vida presente
E nu reflicto o passado,
Sempre estridente em mim.
Ela que já nem é quem vejo
Eu em minha mente.
Ela que se esqueceu de Portugal
Dançando o Brasil com seu sangue
Infantil de África.
Nasceu lá (em África)
Ou lá viveu em bebé,
Daí a ter amado.
Porque é chama em corpo de civilizado.
Conseguiu ela que
Gostasse mais dela que de mim.
E gloriosos tempos
Se seguiram a essa primeira entrega.
Não estava sozinho
E de me não interessar demais por mim
Fazia-me liquido artístico
Numa entrega constante
Ás mil e uma texturas do mundo.
O quanto estava eu vivo na altura!
O quanto hoje
Não lembro
A inteireza desse eu
Agora me tão distante.
Fiz dessa vida capricho
Em vários ofícios
Que de tantos parecem
Parecer que continuo tão vivo.
Mas no canto do quarto
Pensando o tédio do tempo
Me reconheço morto desse meu
Outro querido eu.
Dizia-lhe que era Fénix
Mas do abandono dela
Minhas asas se mais não se
Envergaram de envergadura
Máxima.
E vivo eu em sucessiva cinza
Esquecido até de mim.
Será que me pensas ainda?
Não como obtuso ser
Que te tanto entristeceu
Mas como fonte perpétua
De amor e esperança na vida?
És minha e eu sou teu
Até à cova
Ou te ver num outro corpo, continuação.
De tanto demais engenho no som da vida,
O Brasil te fez, com certeza,
Esquecer de mim.
Ou de tão distantes margens
Mais te lembras em precisão
Que estou aqui e ainda vivo teu.
Que me partilho com outras camas
Nos várias quartos por aí,
Mas nenhuma é tão salgada e risonha como a tua.
Presto-me numa
Tão desmesurada exigência
Que se, até tu, me aparecesses à frente
Recebias um insuficiente.
Fiz-te deusa de minha vida
Daí não precisar de religião.
Inventei a minha de directas origens
No meu, eu, sangue.
Aqui vives livre
E sei que te isso afecta a vida, aí no Brasil.
Não te esqueças minha querida:
Se te sentes leve
É porque em mim tanto danças e descansas.
Então, num despiste aéreo
Que se não viu coeficiente na terra
Aprovei carimbo, um alto funcionário da pátria,
Língua portuguesa!
Aprovei o ponto final
E descobri, em segredo, uma linha recta
Por debaixo da alcatifa da sala...
Coisa fuinha passou por mim,
Branca,
Perguntando-me onde tinha eu estado.
Dei estalada nela e disse-lhe nunca me
Perguntar tal coisa,
Tinha-lhe já dito!
O cão vem a mim
E lembra-se fome, não minha
A dele.
Servi-lhe o prato que comi
Antes dele
E ele baixou cabeça em vénia,
Lembrando sua submissão ao dono seu,
Eu.
Comendo, me dá ele fome novamente
E digo eu ao corpo que comi à meia hora,
Ele se não interessa e grita carência.
Porra! Vou à puta do quarto
Pego a laranja que alimenta e me sento ao chão,
Amigo de meu cão, comendo-a.
Onde está minha mulher
De tez preta?
Frutívora asseada de terras de África.
Fala português
Só que não é de cá,
É de lá.
Lembra-me a minha avó
Que não conheci, nem era preta...
Porra!
Que o gato me alinha em tropeção
Querendo também seu tão merecido pão.
Sou pai vosso por acaso?
Sou, sou dono ao acaso.
Encontrei-vos na rua e vos dei casa,
Alimento, coisa que nunca ninguém
Fez por mim.
Faço-vos a vocês por serem
Cão e gato,
Agora humanos deixo-os pelas ruas.
Esses merecem as ruas
Que de partida renegam.
Há sempre aquela festa
Que busca o encontro com a felicidade plena
De ser criança e não o saber.
Ai, mas festa não.
Quedo-me na cama satisfeito
De meu duplo jantar.
Cão e gato procuram-na também
E lhes digo que sim com a mão.
Só minha mulher
Não vem.
Nem essa de cara branca
Que levou chapada merecida
De se meter na minha vida
Tão necessária de não analisação racional.
Busco uma cerveja do frigorífico
E ponho-me a escrever.
Que dormir só quando se não vê nada à frente.
Ai que saudade de ser eu pequeno
E o mundo me sorrir complacente
Por nada eu lhe meter em causa.
Hoje,
Abrindo os olhos basta
Para silenciar
Eu
O mundo à minha volta.
Não é digno
Ele
O suficiente
Para ser recebido
Vulnerávelmente.
Que se não viu coeficiente na terra
Aprovei carimbo, um alto funcionário da pátria,
Língua portuguesa!
Aprovei o ponto final
E descobri, em segredo, uma linha recta
Por debaixo da alcatifa da sala...
Coisa fuinha passou por mim,
Branca,
Perguntando-me onde tinha eu estado.
Dei estalada nela e disse-lhe nunca me
Perguntar tal coisa,
Tinha-lhe já dito!
O cão vem a mim
E lembra-se fome, não minha
A dele.
Servi-lhe o prato que comi
Antes dele
E ele baixou cabeça em vénia,
Lembrando sua submissão ao dono seu,
Eu.
Comendo, me dá ele fome novamente
E digo eu ao corpo que comi à meia hora,
Ele se não interessa e grita carência.
Porra! Vou à puta do quarto
Pego a laranja que alimenta e me sento ao chão,
Amigo de meu cão, comendo-a.
Onde está minha mulher
De tez preta?
Frutívora asseada de terras de África.
Fala português
Só que não é de cá,
É de lá.
Lembra-me a minha avó
Que não conheci, nem era preta...
Porra!
Que o gato me alinha em tropeção
Querendo também seu tão merecido pão.
Sou pai vosso por acaso?
Sou, sou dono ao acaso.
Encontrei-vos na rua e vos dei casa,
Alimento, coisa que nunca ninguém
Fez por mim.
Faço-vos a vocês por serem
Cão e gato,
Agora humanos deixo-os pelas ruas.
Esses merecem as ruas
Que de partida renegam.
Há sempre aquela festa
Que busca o encontro com a felicidade plena
De ser criança e não o saber.
Ai, mas festa não.
Quedo-me na cama satisfeito
De meu duplo jantar.
Cão e gato procuram-na também
E lhes digo que sim com a mão.
Só minha mulher
Não vem.
Nem essa de cara branca
Que levou chapada merecida
De se meter na minha vida
Tão necessária de não analisação racional.
Busco uma cerveja do frigorífico
E ponho-me a escrever.
Que dormir só quando se não vê nada à frente.
Ai que saudade de ser eu pequeno
E o mundo me sorrir complacente
Por nada eu lhe meter em causa.
Hoje,
Abrindo os olhos basta
Para silenciar
Eu
O mundo à minha volta.
Não é digno
Ele
O suficiente
Para ser recebido
Vulnerávelmente.
De estar em estado de alma
Esqueço a fala
E me renasço silêncio.
Olhos moles
Mas atentos
Perscrutam as almas.
Vejo-lhes cérebro
Tão pouco coração.
A noite alta
Existe com a ajuda
Do chilrear dos pássaros
E o gargarejar das rãs.
É rio a cima
O caminho,
Voltando à floresta
Que me viu nascer
Noutros tempos
Noutro corpo.
Esqueço a fala
E me renasço silêncio.
Olhos moles
Mas atentos
Perscrutam as almas.
Vejo-lhes cérebro
Tão pouco coração.
A noite alta
Existe com a ajuda
Do chilrear dos pássaros
E o gargarejar das rãs.
É rio a cima
O caminho,
Voltando à floresta
Que me viu nascer
Noutros tempos
Noutro corpo.
E me podia
Eu ter guardado para sempre
Sem nunca assim me ver
E ver sim o mundo.
Que infortúnio tanto
Que o larguei lá atrás e virei-o,
Vulnerável grandeza,
De quem sonha tanto
E tem um coração mole,
Mole demais.
E assim chora, chora
De alegria,
De ver o que sonha
Como uma dádiva
Não necessariamente sua.
Um dilúvio, e um tanto mais,
Foram dias que são hoje anos
Onde eu,
Com forças poucas de não-amor,
Deixei vir até mim
As forças muitas
Que me eram de essência.
Elaborar tristezas com saudades
De alegrias vividas...
Ah sim, aí se inventa vida
Da que era impossível viver.
Mas de tanto viver a por ainda viver vida,
vivi-a-a como quase fingida,
a vida que afinal era a mais minha.
De habituação quotidiana
O tempo me solidificou a fingidez
Em louvor sincero e merecido
De quem vê com e só a alma.
Daí a felicidade da tristeza
Me sair momentaneamente
Pelos olhos em solução salgada.
Não é pena
Mas bandeira alta,
Erguida
De meu coração, afinal, mole.
De meu desejo monstro
Valido minha inevitável fraqueza
Em existência possível em corpo humano.
Não creio em mais que isto.
Pode haver mais
Mas todo esse mais,
Estará já de tentáculos ligado
Ao meu menos.
Tanta coisa por fazer?
Não muita…
A pouca que tenho feito
Tem valido muito
Para o meio que sou.
Necessidades a mais
São fruto de nenhuma conclusão.
Já a tive, já a tenho,
Mas a minha não acaba
Com ponto final mas reticências.
Reticências essas,
Amigas do pensador.
Reticências essas
Que fazem crer em mais.
Eu ter guardado para sempre
Sem nunca assim me ver
E ver sim o mundo.
Que infortúnio tanto
Que o larguei lá atrás e virei-o,
Vulnerável grandeza,
De quem sonha tanto
E tem um coração mole,
Mole demais.
E assim chora, chora
De alegria,
De ver o que sonha
Como uma dádiva
Não necessariamente sua.
Um dilúvio, e um tanto mais,
Foram dias que são hoje anos
Onde eu,
Com forças poucas de não-amor,
Deixei vir até mim
As forças muitas
Que me eram de essência.
Elaborar tristezas com saudades
De alegrias vividas...
Ah sim, aí se inventa vida
Da que era impossível viver.
Mas de tanto viver a por ainda viver vida,
vivi-a-a como quase fingida,
a vida que afinal era a mais minha.
De habituação quotidiana
O tempo me solidificou a fingidez
Em louvor sincero e merecido
De quem vê com e só a alma.
Daí a felicidade da tristeza
Me sair momentaneamente
Pelos olhos em solução salgada.
Não é pena
Mas bandeira alta,
Erguida
De meu coração, afinal, mole.
De meu desejo monstro
Valido minha inevitável fraqueza
Em existência possível em corpo humano.
Não creio em mais que isto.
Pode haver mais
Mas todo esse mais,
Estará já de tentáculos ligado
Ao meu menos.
Tanta coisa por fazer?
Não muita…
A pouca que tenho feito
Tem valido muito
Para o meio que sou.
Necessidades a mais
São fruto de nenhuma conclusão.
Já a tive, já a tenho,
Mas a minha não acaba
Com ponto final mas reticências.
Reticências essas,
Amigas do pensador.
Reticências essas
Que fazem crer em mais.
Beber, fumar, está bem.
O corpo sofre
Mas se não fosse ele
Era eu e nisto
Prefiro ele sofrer que eu.
Amanhã o deixarei em paz, o corpo.
Poderei viver com ele levemente,
Sem disputa.
Hoje é assim
Porque tenho que ser 2 ou 3
Para relativizar tudo o que vivo
Em um só.
É aquela necessidade de fluidez,
De encanto, de prosseguir sem chatice.
Como Vinicius!
Como Vinicius de Moraes,
Meu irmão com o meu mesmo coração!
Além amor…
Estás morto mas sei que me sabes!
O corpo sofre
Mas se não fosse ele
Era eu e nisto
Prefiro ele sofrer que eu.
Amanhã o deixarei em paz, o corpo.
Poderei viver com ele levemente,
Sem disputa.
Hoje é assim
Porque tenho que ser 2 ou 3
Para relativizar tudo o que vivo
Em um só.
É aquela necessidade de fluidez,
De encanto, de prosseguir sem chatice.
Como Vinicius!
Como Vinicius de Moraes,
Meu irmão com o meu mesmo coração!
Além amor…
Estás morto mas sei que me sabes!
Estou a chegar ao ponto
Onde me já não faço expectativas,
Basta-me, e muito,
O que vou vendo, sendo, fazendo.
Não quero demais futuro
Que esse de ainda não ser
Estorva por tanto o presente.
Há que saber que viver basta.
O nosso passado
São os nossos avós
O presente nós
E o futuro nossos filhos.
Se eu quero ser eu
Então basta-me o presente
Que valida tudo o que fui,
Sou e serei.
Onde me já não faço expectativas,
Basta-me, e muito,
O que vou vendo, sendo, fazendo.
Não quero demais futuro
Que esse de ainda não ser
Estorva por tanto o presente.
Há que saber que viver basta.
O nosso passado
São os nossos avós
O presente nós
E o futuro nossos filhos.
Se eu quero ser eu
Então basta-me o presente
Que valida tudo o que fui,
Sou e serei.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Danço o vento ao ar
E chora filha sorridente,
Geralmente,
A meus braços
Que a agarram
Na minha manifesta preocupação por ela
Numa vida que lhe não
Dará o que lhe devia…
Querida filha minha
Que hás-de nascer,
Sorrio-te hoje e te lanço ao ar
A primeira mensagem.
Quero-te bem, minha querida,
Ainda repousas tu no óvulo de tua mãe
E eu ainda desconhecido dela
Pareço já a conhecer…
Ai minha querida
O amor que te terei a ter…
Mas logo que tiveres asas
Para andar
Te largarei no mundo
Para te nele habituar.
Com meu amor
Não terás qualquer medo desse mundo
Que te alcançará.
Meu amor é fogo imenso
Que arde sereno de seu poder.
Assim se o tocares confiante
Não queima só se perpétua
Por teu corpo,
Procurando um outro lar no teu coração.
A viagem é tanta nesta vida
E ainda a sinto por começar
Que não sei quando te conceberei…
Minha mulher,
Tua mãe,
Há de ser índia terrena
De vestes do céu
E alma do além!
Ai, essa deusa que é tua mãe…
Será que ela pensa agora
Em mim também?
Repousa descansada
No óvulo de tua mãe,
Que em breve um dos meus
Nano-eu’s te conceberá
Pela real manifestação de Deus:
Natureza.
Até lá minha querida filha!
E chora filha sorridente,
Geralmente,
A meus braços
Que a agarram
Na minha manifesta preocupação por ela
Numa vida que lhe não
Dará o que lhe devia…
Querida filha minha
Que hás-de nascer,
Sorrio-te hoje e te lanço ao ar
A primeira mensagem.
Quero-te bem, minha querida,
Ainda repousas tu no óvulo de tua mãe
E eu ainda desconhecido dela
Pareço já a conhecer…
Ai minha querida
O amor que te terei a ter…
Mas logo que tiveres asas
Para andar
Te largarei no mundo
Para te nele habituar.
Com meu amor
Não terás qualquer medo desse mundo
Que te alcançará.
Meu amor é fogo imenso
Que arde sereno de seu poder.
Assim se o tocares confiante
Não queima só se perpétua
Por teu corpo,
Procurando um outro lar no teu coração.
A viagem é tanta nesta vida
E ainda a sinto por começar
Que não sei quando te conceberei…
Minha mulher,
Tua mãe,
Há de ser índia terrena
De vestes do céu
E alma do além!
Ai, essa deusa que é tua mãe…
Será que ela pensa agora
Em mim também?
Repousa descansada
No óvulo de tua mãe,
Que em breve um dos meus
Nano-eu’s te conceberá
Pela real manifestação de Deus:
Natureza.
Até lá minha querida filha!
Nunca se deixa de amar.
Amar alguém é como
Deixar uma árvore crescer
Da união de 2 almas.
Ela continua crescendo
Mesmo sem a presença dos 2 corpos.
Alcança o céu e a terra
Por vontade própria
E a mente de mais fraca ser
Para sempre se verga
À sombra dessa árvore que se fez nascer.
Há uma última sempre
E só se dissolve o amor anterior
Na continuação desse
Num outro corpo, numa outra mente.
O amor é para sempre
E é forte demais
Para se racionalizar…
É seiva que não
Se pode negar
Porque flui por entre nós.
Que ontem vi a tua alma
Num outro corpo semelhante ao teu
E me fui emocionando
Aos poucos com tal observação.
Não esqueço o amor,
Não posso.
Nem é uma questão de poder
É:
Em matéria de amor
O ser eu
Não tem nada a dizer…
Amar alguém é como
Deixar uma árvore crescer
Da união de 2 almas.
Ela continua crescendo
Mesmo sem a presença dos 2 corpos.
Alcança o céu e a terra
Por vontade própria
E a mente de mais fraca ser
Para sempre se verga
À sombra dessa árvore que se fez nascer.
Há uma última sempre
E só se dissolve o amor anterior
Na continuação desse
Num outro corpo, numa outra mente.
O amor é para sempre
E é forte demais
Para se racionalizar…
É seiva que não
Se pode negar
Porque flui por entre nós.
Que ontem vi a tua alma
Num outro corpo semelhante ao teu
E me fui emocionando
Aos poucos com tal observação.
Não esqueço o amor,
Não posso.
Nem é uma questão de poder
É:
Em matéria de amor
O ser eu
Não tem nada a dizer…
quarta-feira, 9 de março de 2011
O que é o tempo?
Tempo se perde
Ou é esquecido?
Auroras várias
Que deixo de ver por sono.
Mas quando acordo
Desgosto de minha estadia
Efémera na cama.
Acordar na companhia
Ou ouvindo gritos bons
De fora da cama…
O som do galo,
Da ovelha, do porco,
Dos pássaros.
Algo que não seja a ausência.
O tempo passa e nunca sei se o
Aproveito ou me basto
Em tolerá-lo serenamente.
Mas tenho desejo de tempo
E sei que o tempo
Que estou agora a ter
É só a base de um tempo
Em que me vou esquecer
Vivendo plenamente.
A luz de um amanhã…
Mas não sonho não esse amanhã.
Construo-o, isso sim,
Em meu presente.
Talvez daí não me sentir vivente
Antes me quedo como trabalhador obreiro
Do meu caminho.
Há que começar de baixo
Para realmente apreciar
A beleza a que chega
A altura da vida.
Não subo outras escadas
Vou construindo as minhas.
Construindo e subindo,
Construindo e subindo.
Não quero subir nenhuma outra escada
Da qual não participei na construção.
Assim meu futuro incerto
Existe na minha mente.
No real
Ou subo um degrau
Ou estou construindo o próximo.
Com calma,
Que na vida a pressa
É a antítese da maravilha!
Se a coisa demora
Então mais tempo há
Para dar graças a tudo isto!
Que outra vida desejei?...
Sim, é verdade…
Mas antes gritava aos ventos
Regendo-me amargurado, feito criança.
Hoje sei que o que tenho
Está aqui
E o que quero parte daqui.
Assim há mais base
Para não criar distúrbios fúteis
À evolução.
Vem, vem devagar
Ou fica aí
Que vou eu em teu lugar.
De uma maneira
Ou doutra
Nosso destino está traçado,
Iremo-nos reencontrar.
Fervorosa centelha
Que me ilumina a vida,
Vive mais ela que eu.
Eu sou só seu mensageiro e guia.
Brilha forte minha luz divina
Sangue de ser humano espiritual
Renascer índio
De mentalidade civilizacional!
Neo-paganismo hirto!
De que estás á espera?
Sorri e ajuda teu irmão.
A vida só existe para quem nela acredite.
Tempo se perde
Ou é esquecido?
Auroras várias
Que deixo de ver por sono.
Mas quando acordo
Desgosto de minha estadia
Efémera na cama.
Acordar na companhia
Ou ouvindo gritos bons
De fora da cama…
O som do galo,
Da ovelha, do porco,
Dos pássaros.
Algo que não seja a ausência.
O tempo passa e nunca sei se o
Aproveito ou me basto
Em tolerá-lo serenamente.
Mas tenho desejo de tempo
E sei que o tempo
Que estou agora a ter
É só a base de um tempo
Em que me vou esquecer
Vivendo plenamente.
A luz de um amanhã…
Mas não sonho não esse amanhã.
Construo-o, isso sim,
Em meu presente.
Talvez daí não me sentir vivente
Antes me quedo como trabalhador obreiro
Do meu caminho.
Há que começar de baixo
Para realmente apreciar
A beleza a que chega
A altura da vida.
Não subo outras escadas
Vou construindo as minhas.
Construindo e subindo,
Construindo e subindo.
Não quero subir nenhuma outra escada
Da qual não participei na construção.
Assim meu futuro incerto
Existe na minha mente.
No real
Ou subo um degrau
Ou estou construindo o próximo.
Com calma,
Que na vida a pressa
É a antítese da maravilha!
Se a coisa demora
Então mais tempo há
Para dar graças a tudo isto!
Que outra vida desejei?...
Sim, é verdade…
Mas antes gritava aos ventos
Regendo-me amargurado, feito criança.
Hoje sei que o que tenho
Está aqui
E o que quero parte daqui.
Assim há mais base
Para não criar distúrbios fúteis
À evolução.
Vem, vem devagar
Ou fica aí
Que vou eu em teu lugar.
De uma maneira
Ou doutra
Nosso destino está traçado,
Iremo-nos reencontrar.
Fervorosa centelha
Que me ilumina a vida,
Vive mais ela que eu.
Eu sou só seu mensageiro e guia.
Brilha forte minha luz divina
Sangue de ser humano espiritual
Renascer índio
De mentalidade civilizacional!
Neo-paganismo hirto!
De que estás á espera?
Sorri e ajuda teu irmão.
A vida só existe para quem nela acredite.
Montanhas atentas a mim e eu a elas.
Sintra e Arrábida sempre
No meu horizonte
Como promessa omnipresente
De uma calma diferente.
E há rochas e marés,
Ventos e brisas e eu estou aqui
E estamos todos aqui
Onde hoje o sol se mostra em todo o seu esplendor
E a chuva é só uma lembrança
Do que éramos com ela.
O ficar estando quieto
Ou ainda que pouco andando
É um sossego para
Qualquer alma.
Parede, praia tua
Ainda erradia rocha tanta
E vida antiga.
Deve ser dos teus tantos
Guardiões velhos
Que te auscultam diariamente.
E há água que fica em poça
Quando abandonada na rocha.
Água essa que em breve
Se juntará aos céus
Espiritualizando-se no
Acto de evaporação.
Parece que hoje há sol
E está algum calor
Visto que estou de t-shirt
E séria tentação
Em me abandonar dela.
E foi o que fiz,
Visto que tudo o que se quer
Deve ser feito!
O insucesso e o fracasso
Não disturbem quem já é
Com seu medo.
Até se chega a agradecer
O fracasso, visto dar espaço à reflexão.
Ondas, montanhas, rochas
E um ou outro avião
Sobrevoam meu olhar doce.
Só, assim...
Sintra e Arrábida sempre
No meu horizonte
Como promessa omnipresente
De uma calma diferente.
E há rochas e marés,
Ventos e brisas e eu estou aqui
E estamos todos aqui
Onde hoje o sol se mostra em todo o seu esplendor
E a chuva é só uma lembrança
Do que éramos com ela.
O ficar estando quieto
Ou ainda que pouco andando
É um sossego para
Qualquer alma.
Parede, praia tua
Ainda erradia rocha tanta
E vida antiga.
Deve ser dos teus tantos
Guardiões velhos
Que te auscultam diariamente.
E há água que fica em poça
Quando abandonada na rocha.
Água essa que em breve
Se juntará aos céus
Espiritualizando-se no
Acto de evaporação.
Parece que hoje há sol
E está algum calor
Visto que estou de t-shirt
E séria tentação
Em me abandonar dela.
E foi o que fiz,
Visto que tudo o que se quer
Deve ser feito!
O insucesso e o fracasso
Não disturbem quem já é
Com seu medo.
Até se chega a agradecer
O fracasso, visto dar espaço à reflexão.
Ondas, montanhas, rochas
E um ou outro avião
Sobrevoam meu olhar doce.
Só, assim...
Encanto grande e
Logo em seguida
Tropeção.
Não leis antes acontecimentos,
O que advém
Sustém respiração
Do que antes o antecede.
As emoções olham,
Feitas plateia,
Inovam a sombra
A uma corrente de ar
E abrem a boca
Bem aberta e olhos…
Olhos atentos.
O que vem não
É de vir
Mas vem e assim,
Também vai.
O certo carece do errado
E vice-versa.
Não há que viver
De olhos tapados
Nem reconhecer
Demais também as verdades.
Que a verdade é linguagem
Não racional,
Não humana.
A alma sangra se sabe das verdades…
A mão que se estende
À espera
Já não é apanhada por uma outra,
Fica ali só…
A verdade grita
Como milhões de simultâneas musas
Mas a mentira
É tão mais social…
Que ter então?
O sol brilha e o vento acaricia
Mas sou “só” parte disto tudo…
Aqui nem vejo mão estendida
Estou eu estendido
No chão
Albergando meu leito de conforto
Em tão solitário serão.
Onde ficas tu então?
Fechei os olhos e é noite
As vestes passam por mim
E não as ausculto não.
Em vista está minha mão
Que toca outra que
É só minha outra mão…
Solidão?
Solidão…
Logo em seguida
Tropeção.
Não leis antes acontecimentos,
O que advém
Sustém respiração
Do que antes o antecede.
As emoções olham,
Feitas plateia,
Inovam a sombra
A uma corrente de ar
E abrem a boca
Bem aberta e olhos…
Olhos atentos.
O que vem não
É de vir
Mas vem e assim,
Também vai.
O certo carece do errado
E vice-versa.
Não há que viver
De olhos tapados
Nem reconhecer
Demais também as verdades.
Que a verdade é linguagem
Não racional,
Não humana.
A alma sangra se sabe das verdades…
A mão que se estende
À espera
Já não é apanhada por uma outra,
Fica ali só…
A verdade grita
Como milhões de simultâneas musas
Mas a mentira
É tão mais social…
Que ter então?
O sol brilha e o vento acaricia
Mas sou “só” parte disto tudo…
Aqui nem vejo mão estendida
Estou eu estendido
No chão
Albergando meu leito de conforto
Em tão solitário serão.
Onde ficas tu então?
Fechei os olhos e é noite
As vestes passam por mim
E não as ausculto não.
Em vista está minha mão
Que toca outra que
É só minha outra mão…
Solidão?
Solidão…
Em passo compreendido
Pelo que se acha de si
Vagueia perdida
Pelo caminho que se ilumina
Sozinha à luz das velas.
Encontra um “pedaço”
E lhe chama de amigo,
Corre o vestido para a manga
Até cair no chão.
Não mais há razão
De o vestir
“estou só tu e eu”
Diz ela ao “pedaço”.
E o “pedaço” pedacinho
Vai encontrando seu caminho
De encontro ao coração dela.
Ele que não a quer nem a sente
Está mais perto de seu ente
Que a vida passada dela.
Salta uma brisa
Ainda que pequena
Enerva o frio
Descendo o termómetro orgânico
À angústia da mente.
Foge sorridente pois sabe que assim se aquece.
Não tem amigos mas tem um “pedaço”.
Quando alcança, mão tão vã no alpendre
Da casa abandonada
Cai “pedaço” pedacinho ao chão
E salta a alma!
Onde está o “pedaço”?
Onde ficou ele?
Mão vã a agarra
E a leva para dentro.
Nunca ela vê mais
Que a mão vã,
Que do cotovelo ao resto
É tudo negro, sombra…
Quando ouve a voz
Não a compreende
E neste desterro
Grita de medo.
Agarra firmemente ela,
A mão vã,
Aparece da sombra o “pedaço” pedacinho
E de lá já ela mais compreende…
Ligam-se as luzes
Raia o sol
Viram-se as cruzes
E deixa de ser tudo.
Pelo que se acha de si
Vagueia perdida
Pelo caminho que se ilumina
Sozinha à luz das velas.
Encontra um “pedaço”
E lhe chama de amigo,
Corre o vestido para a manga
Até cair no chão.
Não mais há razão
De o vestir
“estou só tu e eu”
Diz ela ao “pedaço”.
E o “pedaço” pedacinho
Vai encontrando seu caminho
De encontro ao coração dela.
Ele que não a quer nem a sente
Está mais perto de seu ente
Que a vida passada dela.
Salta uma brisa
Ainda que pequena
Enerva o frio
Descendo o termómetro orgânico
À angústia da mente.
Foge sorridente pois sabe que assim se aquece.
Não tem amigos mas tem um “pedaço”.
Quando alcança, mão tão vã no alpendre
Da casa abandonada
Cai “pedaço” pedacinho ao chão
E salta a alma!
Onde está o “pedaço”?
Onde ficou ele?
Mão vã a agarra
E a leva para dentro.
Nunca ela vê mais
Que a mão vã,
Que do cotovelo ao resto
É tudo negro, sombra…
Quando ouve a voz
Não a compreende
E neste desterro
Grita de medo.
Agarra firmemente ela,
A mão vã,
Aparece da sombra o “pedaço” pedacinho
E de lá já ela mais compreende…
Ligam-se as luzes
Raia o sol
Viram-se as cruzes
E deixa de ser tudo.
Coisa estranha que se
Sucede em espaço fechado
E mente disciplinada
Que de renovada ciência
Descobre novamente flutuação.
De alegre a libertação,
Jorra poesia e emoção
Feita lava de tão condensada
Mas viva flutua para baixo
Ao som da gravidade;
Única máxima rainha
Da existência física
E, quem sabe, espiritual.
Há felizmente sempre
Montanhas e planícies;
Sítios onde subo, desço
E caminho plano,
Sempre aprendendo
Com o declive
E o precipício
De sempre haver mais
Por onde andar, viver.
O precipício,
Não é grave,
É só uma triste manifestação
De uma montanha
Que perdeu caminho ao descer,
Sem ter como o mais fazer.
O precipício da vida,
Tê-la sempre a correr e ter que a viver,
Essa sim, tarefa para grandes Homens e Mulheres!
Viver é a arte máxima.
Viver, o precipício
Mais fantástico de os todos.
Anda e vai, não venhas
Sempre vai.
Sucede em espaço fechado
E mente disciplinada
Que de renovada ciência
Descobre novamente flutuação.
De alegre a libertação,
Jorra poesia e emoção
Feita lava de tão condensada
Mas viva flutua para baixo
Ao som da gravidade;
Única máxima rainha
Da existência física
E, quem sabe, espiritual.
Há felizmente sempre
Montanhas e planícies;
Sítios onde subo, desço
E caminho plano,
Sempre aprendendo
Com o declive
E o precipício
De sempre haver mais
Por onde andar, viver.
O precipício,
Não é grave,
É só uma triste manifestação
De uma montanha
Que perdeu caminho ao descer,
Sem ter como o mais fazer.
O precipício da vida,
Tê-la sempre a correr e ter que a viver,
Essa sim, tarefa para grandes Homens e Mulheres!
Viver é a arte máxima.
Viver, o precipício
Mais fantástico de os todos.
Anda e vai, não venhas
Sempre vai.
terça-feira, 8 de março de 2011
Vejo o canto ao mar
Sussurrar minha inconsciência.
Sigo-lhe as ondas
Como quem segue
Energia que nunca parará.
O sol lindo
Atravessa-me a alma,
Meu corpo agradece
Minha mente descansa
Minha alma se expande.
Trindade que é qualquer uma identidade,
Que de individuo se tornou seu e depois do mundo.
Poesia é pouca
A vida é tudo.
Quando se cansa minha alma
De eu a não corresponder
Aí lhe dou voz e vem ela para a frente
De meu ser
Em expressão escrita de pensamento.
Nada de mais
É o que eu quero.
Apenas faço o meu caminho.
Sussurrar minha inconsciência.
Sigo-lhe as ondas
Como quem segue
Energia que nunca parará.
O sol lindo
Atravessa-me a alma,
Meu corpo agradece
Minha mente descansa
Minha alma se expande.
Trindade que é qualquer uma identidade,
Que de individuo se tornou seu e depois do mundo.
Poesia é pouca
A vida é tudo.
Quando se cansa minha alma
De eu a não corresponder
Aí lhe dou voz e vem ela para a frente
De meu ser
Em expressão escrita de pensamento.
Nada de mais
É o que eu quero.
Apenas faço o meu caminho.
No evangelho da tristeza
Há uma passagem que diz
“deixa-te estar que conhecerás o fim.”
Os vários cultos
Tanto interpretaram a mensagem
No bom e no mau sentido.
Dividiam-se então
Os positivos dos negativos.
Num dos cantos comuns
Há missa de domingo,
Uns cantavam à morte, outros à vida.
Depois havia entre esses domingos
Um grupo que não cantava nada
Antes se falava.
Este último grupo que não tinha religião
Que se pudesse identificar, como tal,
Era o menos extenso mas, ao que parece,
O mais feliz.
Houve então um terramoto imenso
No sábado passado…
Todos se entreajudaram
E assim comunicaram
Quebrando os preconceitos
Que nasciam pela voz do silêncio.
Com isto, compreenderam todos
Que o desejo em todos era o mesmo
E o canto ou a fala só uma forma
De os distinguir dos outros.
Depois de restabelecidos do terramoto
Celebravam não ao domingo mas
Todos os dias: a morte, a vida,
O canto e a fala.
Há uma passagem que diz
“deixa-te estar que conhecerás o fim.”
Os vários cultos
Tanto interpretaram a mensagem
No bom e no mau sentido.
Dividiam-se então
Os positivos dos negativos.
Num dos cantos comuns
Há missa de domingo,
Uns cantavam à morte, outros à vida.
Depois havia entre esses domingos
Um grupo que não cantava nada
Antes se falava.
Este último grupo que não tinha religião
Que se pudesse identificar, como tal,
Era o menos extenso mas, ao que parece,
O mais feliz.
Houve então um terramoto imenso
No sábado passado…
Todos se entreajudaram
E assim comunicaram
Quebrando os preconceitos
Que nasciam pela voz do silêncio.
Com isto, compreenderam todos
Que o desejo em todos era o mesmo
E o canto ou a fala só uma forma
De os distinguir dos outros.
Depois de restabelecidos do terramoto
Celebravam não ao domingo mas
Todos os dias: a morte, a vida,
O canto e a fala.
No encanto perdido do céu assente
Vislumbro meu menino dormindo.
Olho a lua e ela me não responde
Apenas fica como Deusa
Me olhando com ostentação.
No enorme rochedo da praia
Vulgarizo meu pensamento
Em posse de tão ventosas ideias
Que ao lado do rochedo
São borboletas histericamente frágeis.
Alcanço o meu caminho,
É pequenininho
Como eu
Mas cedo se expande num não caminho
Que é o mundo
Que sou eu.
A areia se foi
Aqui há terra e da terra
Nascem plantas e árvores que me orientam
Os pés até as mais não haver
E aparecer,
Aí sim,
Cimento alcatrão.
Cheguei á cidade
Onde minha voz,
Felizmente,
Encontra outras e onde a compreensão
Pode existir com algum esforço.
Há-os cafés e esplanadas
Sons e caladas mulheres que se mostram.
Sentei-me ao canto da confusão
E vem-me uma criança sorrindo
Vender uma bugiganga qualquer.
Eu lhe sorrio
Dou-lhe uma festa
E um euro para a mão.
Não que seja fã de dar esmola
Mas já que a tenho e ele me pede
Mais merece ele
Que o estado que pensa que me antecede…
Está sol e não está mal de calor,
É-o totalmente acolhedor e nada abrasador.
Veio-me também falar sozinha
Uma menina escondida
Que me perguntou por horas.
Disse que não as tinha
Ao que ela me concedeu Nada.
Vem por mim,
Assim…
Do tão pouco de me esforçar
Albergo tudo o que está no ar.
Á noite vou jantar com uma senhora
E já me antecipo em carinhos impropositados.
Que armazeno o sol
De agora
Para a lua de outrora.
Quero-lhe bem
Ela é que não me quer…
Vislumbro meu menino dormindo.
Olho a lua e ela me não responde
Apenas fica como Deusa
Me olhando com ostentação.
No enorme rochedo da praia
Vulgarizo meu pensamento
Em posse de tão ventosas ideias
Que ao lado do rochedo
São borboletas histericamente frágeis.
Alcanço o meu caminho,
É pequenininho
Como eu
Mas cedo se expande num não caminho
Que é o mundo
Que sou eu.
A areia se foi
Aqui há terra e da terra
Nascem plantas e árvores que me orientam
Os pés até as mais não haver
E aparecer,
Aí sim,
Cimento alcatrão.
Cheguei á cidade
Onde minha voz,
Felizmente,
Encontra outras e onde a compreensão
Pode existir com algum esforço.
Há-os cafés e esplanadas
Sons e caladas mulheres que se mostram.
Sentei-me ao canto da confusão
E vem-me uma criança sorrindo
Vender uma bugiganga qualquer.
Eu lhe sorrio
Dou-lhe uma festa
E um euro para a mão.
Não que seja fã de dar esmola
Mas já que a tenho e ele me pede
Mais merece ele
Que o estado que pensa que me antecede…
Está sol e não está mal de calor,
É-o totalmente acolhedor e nada abrasador.
Veio-me também falar sozinha
Uma menina escondida
Que me perguntou por horas.
Disse que não as tinha
Ao que ela me concedeu Nada.
Vem por mim,
Assim…
Do tão pouco de me esforçar
Albergo tudo o que está no ar.
Á noite vou jantar com uma senhora
E já me antecipo em carinhos impropositados.
Que armazeno o sol
De agora
Para a lua de outrora.
Quero-lhe bem
Ela é que não me quer…
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Os ancestrais fantasmas
De não crer nas pessoas
Tenham elas exacerbado
A vida à perversidade.
Todos têm em mim
A compreensão
E o caminho
À enorme sinceridade.
Que a morte venha e desapareça
Sem deixar rasto
Que a noite teime em persistir
Que a luz de mim continuará
Acesa.
Que eu sou não uma chama
Que se apagará
Mas que continuará
Pela mão dos outros.
Ventos pingados de amargura
Onde jaz o terno presente
Que a mãe deu ao filho?
Escondido no coração do descrente.
Que a vida é dura é princípio
Mas que ela se resolve
Com o persistir
É duvida ao fim certa e esclarecida.
Que o calor que eu busco
É chama acesa
e o que eu desuso é a calma.
Exasperar a incerteza ao limiar da loucura
Para que dela nasça então pureza.
Sofro em carne-viva
Mas onde está senão
O puro que aí!
Entrega-te, que de mal já eles vão!
Que de noite me acordo e de dia
Vou adormecendo,
É esquecido momento
Lembrado em palavras pretas
Em papel branco.
Jovens tristezas…
23 anos e nem um em calma.
Vivo sozinho com minha doce alma
Que de doce se torna rio
E de rio, mar.
Que resistência imensa
Têm meus genes,
Eu tenho fogo
De tão intenso
Fujo de mim!
Venha-me a discórdia, a pobreza
E a incerteza que lhes logo
Pinto de sinceridade
E não há mais mal.
Tou esquecido de meu momento,
Retorno-o agora
Como ele a mim complacente.
De não crer nas pessoas
Tenham elas exacerbado
A vida à perversidade.
Todos têm em mim
A compreensão
E o caminho
À enorme sinceridade.
Que a morte venha e desapareça
Sem deixar rasto
Que a noite teime em persistir
Que a luz de mim continuará
Acesa.
Que eu sou não uma chama
Que se apagará
Mas que continuará
Pela mão dos outros.
Ventos pingados de amargura
Onde jaz o terno presente
Que a mãe deu ao filho?
Escondido no coração do descrente.
Que a vida é dura é princípio
Mas que ela se resolve
Com o persistir
É duvida ao fim certa e esclarecida.
Que o calor que eu busco
É chama acesa
e o que eu desuso é a calma.
Exasperar a incerteza ao limiar da loucura
Para que dela nasça então pureza.
Sofro em carne-viva
Mas onde está senão
O puro que aí!
Entrega-te, que de mal já eles vão!
Que de noite me acordo e de dia
Vou adormecendo,
É esquecido momento
Lembrado em palavras pretas
Em papel branco.
Jovens tristezas…
23 anos e nem um em calma.
Vivo sozinho com minha doce alma
Que de doce se torna rio
E de rio, mar.
Que resistência imensa
Têm meus genes,
Eu tenho fogo
De tão intenso
Fujo de mim!
Venha-me a discórdia, a pobreza
E a incerteza que lhes logo
Pinto de sinceridade
E não há mais mal.
Tou esquecido de meu momento,
Retorno-o agora
Como ele a mim complacente.
Portugal em ti sempre serei infeliz…
Quem sabe, te tenho de trocar
Pelo samba de Salvador da Bahia
Brasil.
Portugal em ti temos todos de ser infelizes
E porquê e para quê nos fazes a nós
Teus filhos ter o dever acima
De tudo de nos vivermos vencidos?
Portugal país imenso
Que se nega a si mesmo em forma
De gloriosa cobardia.
Que é feito de ti
Agarrado num só dedo à Europa
Fingindo-te bem comportado a ela
Quando te querias demais a viajar por aí!
A mim não me enganes Portugal,
Pois como tu procurei terras longínquas
Em conhecimento e espiritualidade
E encontrei o que tu em tempos tocaste.
Ouro poético, intelectualidade cultural,
Falo dos teus Índios e da tua Índia e China,
Falo dos teus amigos fortes e pretos
Que não têm medo de estar ao sol!
Mas há tantos que não eu…
Tantos que te “mexem” como se falasses verdade…
Tantos que não compreendem
O quanto ainda és criança curiosa
Que amaldiçoa porque tem medo de avançar.
Portugal apesar de tudo gosto de ti
E de tua gente
Simpática e boa alma geral.
Portugal chega de falar
Com os pretensiosos e mesquinhos
Europeus,
Tu queres é vida tal como eu
E essa ainda a há nas culturas antigas
E longínquas do Brasil, Angola,
Moçambique, Guiné, São Tomé e Príncipe,
Índia, China, Japão…
Vamos caminhar para onde
Ainda há luz,
Vamos voltar à cultura e aos valores
Superiores dos quais nos ensinam
Da terra nossos antepassados!
Quem sabe, te tenho de trocar
Pelo samba de Salvador da Bahia
Brasil.
Portugal em ti temos todos de ser infelizes
E porquê e para quê nos fazes a nós
Teus filhos ter o dever acima
De tudo de nos vivermos vencidos?
Portugal país imenso
Que se nega a si mesmo em forma
De gloriosa cobardia.
Que é feito de ti
Agarrado num só dedo à Europa
Fingindo-te bem comportado a ela
Quando te querias demais a viajar por aí!
A mim não me enganes Portugal,
Pois como tu procurei terras longínquas
Em conhecimento e espiritualidade
E encontrei o que tu em tempos tocaste.
Ouro poético, intelectualidade cultural,
Falo dos teus Índios e da tua Índia e China,
Falo dos teus amigos fortes e pretos
Que não têm medo de estar ao sol!
Mas há tantos que não eu…
Tantos que te “mexem” como se falasses verdade…
Tantos que não compreendem
O quanto ainda és criança curiosa
Que amaldiçoa porque tem medo de avançar.
Portugal apesar de tudo gosto de ti
E de tua gente
Simpática e boa alma geral.
Portugal chega de falar
Com os pretensiosos e mesquinhos
Europeus,
Tu queres é vida tal como eu
E essa ainda a há nas culturas antigas
E longínquas do Brasil, Angola,
Moçambique, Guiné, São Tomé e Príncipe,
Índia, China, Japão…
Vamos caminhar para onde
Ainda há luz,
Vamos voltar à cultura e aos valores
Superiores dos quais nos ensinam
Da terra nossos antepassados!
Menina menina
Não te assentes em tectos falsos
Que o verdadeiro é que te suporta.
Menina menina
Não me sorrias tão levianamente
Que meu monstro te morde o pescoço.
Além de mim, minha querida
Todo o mundo te vê
E te sorri beleza nova.
Que é a nova e não a velha
Beleza
Que excita mas tão demais cansa.
Ai menina vai tropeçar em pedras
(olha uma ali!)
Que eu quero uma mulher
Que se quiser já
Me possa amamentar.
Fumo demais, saudades de mamar
Dizem uns senhores de cara pálida e
Bata branca, prenúncio de uma nova religião
Que por dentro tudo tem para a não ser…
Ai menina mas voltando a ti!
Vai beijar doces bocas que não te ainda
Rocem pêlos pela madrugada facial.
Vinhas aqui e meu hálito
Te assombraria as entranhas
Ainda tão virginais
Ainda tão delgadas.
Ai mas querida porque falo eu de ti
Quando tão intensamente
Antes penso numa só Mulher
Que me detenha,
Que me pare.
Assim, só, sinto-me sempre demasiado vivo
E viver cansa como já outro dizia.
Há que descansar em leito vaginais
Que sussurrem enigmas ancestrais.
Vagina,
Ponho-a na cabeça e amasso-a com o coração.
Está tudo bem, está tudo bem…
Não te assentes em tectos falsos
Que o verdadeiro é que te suporta.
Menina menina
Não me sorrias tão levianamente
Que meu monstro te morde o pescoço.
Além de mim, minha querida
Todo o mundo te vê
E te sorri beleza nova.
Que é a nova e não a velha
Beleza
Que excita mas tão demais cansa.
Ai menina vai tropeçar em pedras
(olha uma ali!)
Que eu quero uma mulher
Que se quiser já
Me possa amamentar.
Fumo demais, saudades de mamar
Dizem uns senhores de cara pálida e
Bata branca, prenúncio de uma nova religião
Que por dentro tudo tem para a não ser…
Ai menina mas voltando a ti!
Vai beijar doces bocas que não te ainda
Rocem pêlos pela madrugada facial.
Vinhas aqui e meu hálito
Te assombraria as entranhas
Ainda tão virginais
Ainda tão delgadas.
Ai mas querida porque falo eu de ti
Quando tão intensamente
Antes penso numa só Mulher
Que me detenha,
Que me pare.
Assim, só, sinto-me sempre demasiado vivo
E viver cansa como já outro dizia.
Há que descansar em leito vaginais
Que sussurrem enigmas ancestrais.
Vagina,
Ponho-a na cabeça e amasso-a com o coração.
Está tudo bem, está tudo bem…
Haveria tão pouco água no poço?
Havia. Só que de tão fria
Ninguém a bebia.
Aprenderam a beber fogo
Os colonos dessa terra sem homens.
Fogo no corpo,
Todos sabem,
Ou dá Deus ou Demónio.
Deus nasce da paciência
E o demónio por excelência do medo.
Mas sentaram-se a meu lado evaporando as caudas
Cornos e picos, coisas douradas à volta da cabeça
E me olharam curiosos.
Porque eu nada tinha antes
E nada tinha agora que eles se pareciam comigo.
Pedi um copo de água,
Me disseram que não havia,
Perguntei como sobreviveria eu ao calor que fazia
Me disseram rendendo-me a ele bebendo-o em fogo.
Disse que me queimaria a garganta,
Asseguraram-me que não.
Bebi então.
Não é que morri!
Morri…
Não perdi consciência
Por estanho que pareça
Mas morri ali de garganta queimada.
Os vi a olharem para mim falecido
Em dor extrema, vi-os ter pena
De me assegurarem vida
Condenando-me á morte.
Olhei-os uma vez mais e parti
Porque ainda sendo eu agora
Só espírito ainda sentia o absurdo
Calor que fazia.
Noite no deserto,
Só, na imensidão da vida
O frio não me gerava qualquer desconforto
Antes me aclarava as ideias
Parecendo-me elas vivas
Agora que não tinha corpo.
Sosseguei um tempo e como
Não sentia sono ou cansaço
Prossegui a caminhada
Ou melhor flutuação.
Lá em mais de horas a ir vi uma vilazita,
Parece-me que magrebina, muçulmana,
Norte de África, por palpite,
E vi pessoas não me vendo elas a mim.
Entristeci-me.
Vi o mal de ser só espírito…
Fui mais um pouco por aí
Percebendo agora a pena que os outros
Tinham em me ver o corpo parado
E alienado de vida.
Lembrei-me da conversa
Da água e do fogo e do calor.
Fui ao poço e bebi.
Não é que me apareci
De novo aos olhos da gente
Que me festejou pela noite a dentro?
Vida aliada a corpo é bem mais gira.
Havia. Só que de tão fria
Ninguém a bebia.
Aprenderam a beber fogo
Os colonos dessa terra sem homens.
Fogo no corpo,
Todos sabem,
Ou dá Deus ou Demónio.
Deus nasce da paciência
E o demónio por excelência do medo.
Mas sentaram-se a meu lado evaporando as caudas
Cornos e picos, coisas douradas à volta da cabeça
E me olharam curiosos.
Porque eu nada tinha antes
E nada tinha agora que eles se pareciam comigo.
Pedi um copo de água,
Me disseram que não havia,
Perguntei como sobreviveria eu ao calor que fazia
Me disseram rendendo-me a ele bebendo-o em fogo.
Disse que me queimaria a garganta,
Asseguraram-me que não.
Bebi então.
Não é que morri!
Morri…
Não perdi consciência
Por estanho que pareça
Mas morri ali de garganta queimada.
Os vi a olharem para mim falecido
Em dor extrema, vi-os ter pena
De me assegurarem vida
Condenando-me á morte.
Olhei-os uma vez mais e parti
Porque ainda sendo eu agora
Só espírito ainda sentia o absurdo
Calor que fazia.
Noite no deserto,
Só, na imensidão da vida
O frio não me gerava qualquer desconforto
Antes me aclarava as ideias
Parecendo-me elas vivas
Agora que não tinha corpo.
Sosseguei um tempo e como
Não sentia sono ou cansaço
Prossegui a caminhada
Ou melhor flutuação.
Lá em mais de horas a ir vi uma vilazita,
Parece-me que magrebina, muçulmana,
Norte de África, por palpite,
E vi pessoas não me vendo elas a mim.
Entristeci-me.
Vi o mal de ser só espírito…
Fui mais um pouco por aí
Percebendo agora a pena que os outros
Tinham em me ver o corpo parado
E alienado de vida.
Lembrei-me da conversa
Da água e do fogo e do calor.
Fui ao poço e bebi.
Não é que me apareci
De novo aos olhos da gente
Que me festejou pela noite a dentro?
Vida aliada a corpo é bem mais gira.
Além que de sombra sou eu
Também sou perdiz de Santa Inácia,
Ilha de São Miguel,
Aurora do tempo vindouro
Encruzilhadas atentas ao nada
Vilas de fantasmas e paraísos de crianças
Febres altas de prazer
Sangue escorrido de mais uma santa
Que o deixou de ser.
Ai, ali á frente meu querido desespero
Aqui conforto que me faz ver de longe
A vida, a morte.
“Corações ao alto,
O nosso coração está em Deus.”
Não está nada, o vosso coração
Está em vós!
Não percebeis
Nada da matéria da vida,
Pois claro,
Ela não vos é exigida,
Não vos é feito bolo alimentar
Para seguirem tipo batido
Tido como para beber
Feito para matar a sede
Quando se tem é fome!
Pobre desgraçada civilização.
Mas vos amo na mesma
Não vos quero mal
Só vos sei enviesados
À própria antena que têm no coração
Que está em vós e não em Deus.
Também sou perdiz de Santa Inácia,
Ilha de São Miguel,
Aurora do tempo vindouro
Encruzilhadas atentas ao nada
Vilas de fantasmas e paraísos de crianças
Febres altas de prazer
Sangue escorrido de mais uma santa
Que o deixou de ser.
Ai, ali á frente meu querido desespero
Aqui conforto que me faz ver de longe
A vida, a morte.
“Corações ao alto,
O nosso coração está em Deus.”
Não está nada, o vosso coração
Está em vós!
Não percebeis
Nada da matéria da vida,
Pois claro,
Ela não vos é exigida,
Não vos é feito bolo alimentar
Para seguirem tipo batido
Tido como para beber
Feito para matar a sede
Quando se tem é fome!
Pobre desgraçada civilização.
Mas vos amo na mesma
Não vos quero mal
Só vos sei enviesados
À própria antena que têm no coração
Que está em vós e não em Deus.
Desgosto em geral de ser gostado,
É coisa que me obriga a gostar também
E eu não gosto de gostar forçosamente.
Gostar de alguém para mim
É um prazer como que divino,
Porque natural, raia-me momentaneamente
O sol da intuição e me faz sentir
Que gosto dessa pessoa.
O porquê, deixa-o lá estar bem
Guardadinho na caixa dos segredos.
(Que o racional é um pateta
De nariz empinado!)
Adoro gostar de alguém
Porque me faz deixar-me
Por momentos
Prestando atenção a outro que não eu.
Alio o gostar, ao amor, á amizade
E nisto á força vital que faz vida existir.
Como que fenomenal esta coisa
De nos sabermos vivos e livres.
Muita gente não tem tempo ou espaço
Para se saber sozinha no universo;
Fluxo de vida única,
Interceptado por tanta outra.
(Respiro fundo e o que me acontece/aparece?
Sufocação…
Então há que não respirar fundo
E manter a harmonia da desarmonia actual.)
É coisa que me obriga a gostar também
E eu não gosto de gostar forçosamente.
Gostar de alguém para mim
É um prazer como que divino,
Porque natural, raia-me momentaneamente
O sol da intuição e me faz sentir
Que gosto dessa pessoa.
O porquê, deixa-o lá estar bem
Guardadinho na caixa dos segredos.
(Que o racional é um pateta
De nariz empinado!)
Adoro gostar de alguém
Porque me faz deixar-me
Por momentos
Prestando atenção a outro que não eu.
Alio o gostar, ao amor, á amizade
E nisto á força vital que faz vida existir.
Como que fenomenal esta coisa
De nos sabermos vivos e livres.
Muita gente não tem tempo ou espaço
Para se saber sozinha no universo;
Fluxo de vida única,
Interceptado por tanta outra.
(Respiro fundo e o que me acontece/aparece?
Sufocação…
Então há que não respirar fundo
E manter a harmonia da desarmonia actual.)
Enlaçado numa mentira
Espessa está meu presente.
Vivo esquecido de mim
E nisso não me encaro ou desperto
Apenas persisto.
Os fantasmas vêm de todo o lado
E o frio rege-se enganado
Até por mim mesmo.
Que de medo me toldei
Ás trevas que me não largavam
E não me assisti na queda
Antes adiei-a cavando
Mais e mais terra.
Onde fica Deus
Aqui neste mundo em queda?
Tem de o haver,
É certo,
Que eu ainda estranhamente
Acordo e falo a pessoas,
Não as me queridas
Mas as que têm de ser.
Aí meu erro,
Vejo claro agora,
Que do nada de não tentar
Nasce sempre algo,
Porque teima em viver e,
Se não se o é decididamente
Então se é atropeladamente.
Espessa está meu presente.
Vivo esquecido de mim
E nisso não me encaro ou desperto
Apenas persisto.
Os fantasmas vêm de todo o lado
E o frio rege-se enganado
Até por mim mesmo.
Que de medo me toldei
Ás trevas que me não largavam
E não me assisti na queda
Antes adiei-a cavando
Mais e mais terra.
Onde fica Deus
Aqui neste mundo em queda?
Tem de o haver,
É certo,
Que eu ainda estranhamente
Acordo e falo a pessoas,
Não as me queridas
Mas as que têm de ser.
Aí meu erro,
Vejo claro agora,
Que do nada de não tentar
Nasce sempre algo,
Porque teima em viver e,
Se não se o é decididamente
Então se é atropeladamente.
Entre o tom rosa da pele
E o amarelo do sorriso, a voz
Se esvai e se lhe encontra corpo
Onde antes havia só silêncio.
Além que ela pouco fala
A ideia que ela tem
Sempre se nota na cara.
Senta-se bem e parece menina
Mas quando sai á rua
A destreza é toda sua.
Fico eu aqui olhando-a
Na esplanada de um tão fim de tarde fria.
Á noite ela se deita no sofá
Enquanto o irmão se fala.
Isto sei porque moro no prédio em frente
E quando em espaços de tempo entre livros
Olho janela é a ela que me quero ver.
Hoje acordei quase que de manhã
Eram onze e quatro e o sono
Não me retinha
Tinha que a ver!
Saí porta, vi rua
Direita para o trabalho
Onde ela se instrui de dinheiro.
Sentei-me, pedi à colega dela
Uma torrada e um galão.
Fiquei esperando que saísse da cozinha,
Olhou-me de repente
Surpresa,
Não que me conheça antes me sabe
Comum a este café e espaço suburbano.
Quinze minutos mais tarde já tinha vindo
E sido ingerido o alimento e o leito com café.
Na sombra da dúvida acendi um cigarro e chamei-a.
Chamei-a ao que ela me veio corada,
A disse que a havia observado já há muito
E que se não assustasse com o assunto.
“Puro interesse inocente e curioso
De um velho amistoso.” Disse-lhe.
Ao que ela sorriu um pouco ainda descrente
Da minha sanidade.
“Minha querida” disse finalmente
“Quero-te oferecer minha vida…”
Ela olhou-me assustada
Eu lhe disse “Descansa que não é nada de mais.
Tenho uma doença que me levará
Nos próximos dias, quero que fiques
Com o que tenho: casa com tudo incluído e carro.
Tens livros e afins culturais e artísticos para te entreteres.
Deixo te-os porque por ti vivi mais uns meses que afinal não merecia.
Tua vida singela fez-me ver o que é a vida em si, vida essa
Que eu nunca vivi.
Contigo, nos últimos meses, compreendi que mais vale silêncio sereno
Que conversa entendida, percebi que mais vale viver que se entreter
Com o sucesso. Deste-me a maior lição de vida e como
Não tenho herdeiros te deixo a ti tudo o que tenho.
Aceitas?
Sei que vives apertada naquele apartamento com o teu irmão
Mereces um espaço teu e assim deixo-te o meu.
Aceitas?
Entende que não há coisa maior que essa para ir em paz para o além-vida.
Aceitas?
Não chores, aceita.”
Nesses últimos dias, tornamos-nos bons amigos,
Afinal minha mente não se canibalizava com a sombra da morte,
Ficava calmo sabendo que ela existia.
Quando morri, morri sereno no sofá de casa dela
Depois de uma longa noite de conversa.
(Assim foi toda a minha vida…)
E o amarelo do sorriso, a voz
Se esvai e se lhe encontra corpo
Onde antes havia só silêncio.
Além que ela pouco fala
A ideia que ela tem
Sempre se nota na cara.
Senta-se bem e parece menina
Mas quando sai á rua
A destreza é toda sua.
Fico eu aqui olhando-a
Na esplanada de um tão fim de tarde fria.
Á noite ela se deita no sofá
Enquanto o irmão se fala.
Isto sei porque moro no prédio em frente
E quando em espaços de tempo entre livros
Olho janela é a ela que me quero ver.
Hoje acordei quase que de manhã
Eram onze e quatro e o sono
Não me retinha
Tinha que a ver!
Saí porta, vi rua
Direita para o trabalho
Onde ela se instrui de dinheiro.
Sentei-me, pedi à colega dela
Uma torrada e um galão.
Fiquei esperando que saísse da cozinha,
Olhou-me de repente
Surpresa,
Não que me conheça antes me sabe
Comum a este café e espaço suburbano.
Quinze minutos mais tarde já tinha vindo
E sido ingerido o alimento e o leito com café.
Na sombra da dúvida acendi um cigarro e chamei-a.
Chamei-a ao que ela me veio corada,
A disse que a havia observado já há muito
E que se não assustasse com o assunto.
“Puro interesse inocente e curioso
De um velho amistoso.” Disse-lhe.
Ao que ela sorriu um pouco ainda descrente
Da minha sanidade.
“Minha querida” disse finalmente
“Quero-te oferecer minha vida…”
Ela olhou-me assustada
Eu lhe disse “Descansa que não é nada de mais.
Tenho uma doença que me levará
Nos próximos dias, quero que fiques
Com o que tenho: casa com tudo incluído e carro.
Tens livros e afins culturais e artísticos para te entreteres.
Deixo te-os porque por ti vivi mais uns meses que afinal não merecia.
Tua vida singela fez-me ver o que é a vida em si, vida essa
Que eu nunca vivi.
Contigo, nos últimos meses, compreendi que mais vale silêncio sereno
Que conversa entendida, percebi que mais vale viver que se entreter
Com o sucesso. Deste-me a maior lição de vida e como
Não tenho herdeiros te deixo a ti tudo o que tenho.
Aceitas?
Sei que vives apertada naquele apartamento com o teu irmão
Mereces um espaço teu e assim deixo-te o meu.
Aceitas?
Entende que não há coisa maior que essa para ir em paz para o além-vida.
Aceitas?
Não chores, aceita.”
Nesses últimos dias, tornamos-nos bons amigos,
Afinal minha mente não se canibalizava com a sombra da morte,
Ficava calmo sabendo que ela existia.
Quando morri, morri sereno no sofá de casa dela
Depois de uma longa noite de conversa.
(Assim foi toda a minha vida…)
Era eu um companheiro exímio de um cão.
Tratava a seu lado como se ele,
Tão pouco falante, me por fim
Mostrasse o que é a intuição.
Vieram-me fogos imensos
Memórias antecedidas
Pela consciência do presente.
Eram elas adoráveis
Que de rápido me mutilaram,
Eu ser de 1001 analizações,
Sem tempo a perder
Procurava devora-las a todas sinteticamente
O que me levou á exaustão,
Á extrema fadiga
E por fim á morte.
Nasci noutro dia,
Estava quente e me espreguicei
Como que naturalmente.
Olhei para o lado
E estava uma loba vestida de menina
A dormir.
Me olhei as patas
E ainda eram de homem,
Sacudi as pernas
E saiu-me uma cauda pela beira do lençol!
Fiquei perplexo!
Fui ao espelho
Olhei meu rabo
E de lá de tudo humano em mim
Saiu ou melhor
Estava uma cauda a mexer
Por vezes
Sentindo eu diversos “sentires”.
Acordei a menina ou a loba
E ela me rosnou
Pensei:
Está tudo louco!”
Ao que ela responde
“não querido, estava brincando”
Pensei:
“ é brasileira ou alentejana, das duas uma”
Perguntei-lhe donde era
Ao que ela me disse: “São Paulo”
“e onde estamos nós? Ai por diabos!”
“estamos na floresta”
“mas em qual floresta? De que sitio?
De que país?”
“Ai, não penses nisso,
Não os há por aqui…”
“Que ano é?”
“Fazes perguntas tão estranhas…”
“Jasus!” pensei “ estou a falar com
Uma loba coisas de humanos!”
“como vim aqui parar?”
Perguntei por fim.
“o quê? Não sabes quem sou?
Sou tua querida Dolcelinda!”
“Ai jasus” pensei “isto só piora!”
(“E continuava e continuava e continuava e continuava….”)
Tratava a seu lado como se ele,
Tão pouco falante, me por fim
Mostrasse o que é a intuição.
Vieram-me fogos imensos
Memórias antecedidas
Pela consciência do presente.
Eram elas adoráveis
Que de rápido me mutilaram,
Eu ser de 1001 analizações,
Sem tempo a perder
Procurava devora-las a todas sinteticamente
O que me levou á exaustão,
Á extrema fadiga
E por fim á morte.
Nasci noutro dia,
Estava quente e me espreguicei
Como que naturalmente.
Olhei para o lado
E estava uma loba vestida de menina
A dormir.
Me olhei as patas
E ainda eram de homem,
Sacudi as pernas
E saiu-me uma cauda pela beira do lençol!
Fiquei perplexo!
Fui ao espelho
Olhei meu rabo
E de lá de tudo humano em mim
Saiu ou melhor
Estava uma cauda a mexer
Por vezes
Sentindo eu diversos “sentires”.
Acordei a menina ou a loba
E ela me rosnou
Pensei:
Está tudo louco!”
Ao que ela responde
“não querido, estava brincando”
Pensei:
“ é brasileira ou alentejana, das duas uma”
Perguntei-lhe donde era
Ao que ela me disse: “São Paulo”
“e onde estamos nós? Ai por diabos!”
“estamos na floresta”
“mas em qual floresta? De que sitio?
De que país?”
“Ai, não penses nisso,
Não os há por aqui…”
“Que ano é?”
“Fazes perguntas tão estranhas…”
“Jasus!” pensei “ estou a falar com
Uma loba coisas de humanos!”
“como vim aqui parar?”
Perguntei por fim.
“o quê? Não sabes quem sou?
Sou tua querida Dolcelinda!”
“Ai jasus” pensei “isto só piora!”
(“E continuava e continuava e continuava e continuava….”)
Leviana candura
Adormece a meu ombro
E desconhece o forçado.
Até que sorri um pouco
Ela, com seu jeito menino
Acorda meu eu pequenino.
Agora espreguiçasse e olha em volta
Esquece o ontem metendo-o
Logo em prática de manhã.
Meu corpo palpita todo
Ao cheiro do amor,
E do carinho fico sozinho
Longe de mim porque
Resisto ao que me quer…
Adormece a meu ombro
E desconhece o forçado.
Até que sorri um pouco
Ela, com seu jeito menino
Acorda meu eu pequenino.
Agora espreguiçasse e olha em volta
Esquece o ontem metendo-o
Logo em prática de manhã.
Meu corpo palpita todo
Ao cheiro do amor,
E do carinho fico sozinho
Longe de mim porque
Resisto ao que me quer…
Horas gastas num vagão triste, sorte minha me ter encontrado vagabundo
Em tese de o querer ser.
Reconheço hoje, homem de casa e afazeres ligados ao sangue económico
Que meu começo não podia ser mais romântico…
Partido de Lisboa vivi auroras boémias com seres que pensam e agem
Com poética alegria.
Sentei-me ao canto um dia cansado de sorrir.
Fui ao cais noite a dentro, lá encontrei de um indivíduo
Que por certo, pensei eu, pescador.
Gritei-lhe alto “vai para onde?”
E diz-me ele “quê?”
Ao que eu repito: “vai para onde?”
“vou para o Brasil! Rio de Janeiro depois São Paulo e depois
Salvador da Bahia e continuando para cima…”
Eu numa continuação de fluída embriagues perguntei “posso ir consigo?”
Ao que ele me responde “quê?” e eu repito.
Era homem duro de seu afazer, se fica pensando que lhe estava a gozar,
Ao que eu, entendendo que minha anterior fala com hálito a cerveja
Equacionava meu desejo intimo e antigo, lhe digo com as mais sinceras
Cordialidades da seriedade: “poderei eu ir consigo?
Há um espacinho onde me possa eu ficar que não incomode nem a si
Nem ás autoridades que por inevitabilidades o possam importunar?”
Ao que ele responde:”Bom há anos (era ele velho) que nenhum freguês
Me tem a lata disso perguntar e há anos certamente que aguardo
Por um qualquer moderno desmedido aventureiro, sabe, para poder pensar
E dizer que algo de novo e excitante fiz fora de sustentar quem de mim
Se agarra…”
Eu sorri.
Diz-me ele passado tempos poucos e reacendendo um cigarro:
“bom, jovem, hoje não que as autoridades andam aí que meu colega
Já em si sofreu consequências que não vale a pena contar.
Mas daqui a 2, 3 semanas as coisas acalmam e conte comigo para lhe
Levar à outra ponta da terra! Seria até um prazer visto que deve ler
Já que tem aí na mão um livro pesado.
Que faz você?”
“De momento sou vagabundo…”
“Fugiu de casa?”
“É…”
“Então vamos já tratar disso, dia 25, venha-me aqui à noite que em principio
Lhe digo um dia certo em que zarpamos.”
“De acordo, de acordo.
Sabe nunca imaginei que dissesse que sim, foi o álcool a puxar o desejo
Longe da realidade. Fala sempre mais alto que a razão e por isso muitas vezes
Mais correcto.
Vou-me preparar, estabilizar desejo em terras de sol e noite, barulho e horas
Mas vou consigo, porque sigo muitas vezes o que o álcool me sugere
Já que me desbloqueia-a o coração.
Dia 25 cá estarei e aí nada mais haverá senão o ir!
Boa noite meu amigo.”
“Boa noite, um prazer.
Já agora como se chama?”
“Miguel.”
“Eu sou o João Antunes.”
“Um bem haja para si!”
“Até esse dia então.
Espero que não se acobarde.”
“Por certo que não, sabe que não.
Adeus.”
“Adeus até logo.”
Foi assim me arrumei deixei a boémia em sonho e parti
Para a Santa Realidade!
Vim e estou aqui, Salvador da Bahia,
De vagabundo a santo eremita de minha família e negócio.
Ave-vida.
(Além da razão há-o sempre coração!)
Em tese de o querer ser.
Reconheço hoje, homem de casa e afazeres ligados ao sangue económico
Que meu começo não podia ser mais romântico…
Partido de Lisboa vivi auroras boémias com seres que pensam e agem
Com poética alegria.
Sentei-me ao canto um dia cansado de sorrir.
Fui ao cais noite a dentro, lá encontrei de um indivíduo
Que por certo, pensei eu, pescador.
Gritei-lhe alto “vai para onde?”
E diz-me ele “quê?”
Ao que eu repito: “vai para onde?”
“vou para o Brasil! Rio de Janeiro depois São Paulo e depois
Salvador da Bahia e continuando para cima…”
Eu numa continuação de fluída embriagues perguntei “posso ir consigo?”
Ao que ele me responde “quê?” e eu repito.
Era homem duro de seu afazer, se fica pensando que lhe estava a gozar,
Ao que eu, entendendo que minha anterior fala com hálito a cerveja
Equacionava meu desejo intimo e antigo, lhe digo com as mais sinceras
Cordialidades da seriedade: “poderei eu ir consigo?
Há um espacinho onde me possa eu ficar que não incomode nem a si
Nem ás autoridades que por inevitabilidades o possam importunar?”
Ao que ele responde:”Bom há anos (era ele velho) que nenhum freguês
Me tem a lata disso perguntar e há anos certamente que aguardo
Por um qualquer moderno desmedido aventureiro, sabe, para poder pensar
E dizer que algo de novo e excitante fiz fora de sustentar quem de mim
Se agarra…”
Eu sorri.
Diz-me ele passado tempos poucos e reacendendo um cigarro:
“bom, jovem, hoje não que as autoridades andam aí que meu colega
Já em si sofreu consequências que não vale a pena contar.
Mas daqui a 2, 3 semanas as coisas acalmam e conte comigo para lhe
Levar à outra ponta da terra! Seria até um prazer visto que deve ler
Já que tem aí na mão um livro pesado.
Que faz você?”
“De momento sou vagabundo…”
“Fugiu de casa?”
“É…”
“Então vamos já tratar disso, dia 25, venha-me aqui à noite que em principio
Lhe digo um dia certo em que zarpamos.”
“De acordo, de acordo.
Sabe nunca imaginei que dissesse que sim, foi o álcool a puxar o desejo
Longe da realidade. Fala sempre mais alto que a razão e por isso muitas vezes
Mais correcto.
Vou-me preparar, estabilizar desejo em terras de sol e noite, barulho e horas
Mas vou consigo, porque sigo muitas vezes o que o álcool me sugere
Já que me desbloqueia-a o coração.
Dia 25 cá estarei e aí nada mais haverá senão o ir!
Boa noite meu amigo.”
“Boa noite, um prazer.
Já agora como se chama?”
“Miguel.”
“Eu sou o João Antunes.”
“Um bem haja para si!”
“Até esse dia então.
Espero que não se acobarde.”
“Por certo que não, sabe que não.
Adeus.”
“Adeus até logo.”
Foi assim me arrumei deixei a boémia em sonho e parti
Para a Santa Realidade!
Vim e estou aqui, Salvador da Bahia,
De vagabundo a santo eremita de minha família e negócio.
Ave-vida.
(Além da razão há-o sempre coração!)
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
O quanto de um só amor me posso perder
Em anos de retorno e novas descobertas
Que quando trazidas
Aos raios de sol do presente
Se logo derretem em minhas mãos.
Ainda sofregamente tentava
Juntar as peças e não as deixar fugir
Depois já as sabia donas da razão
E segui só com meio coração.
A noite tornou-se meu dia
E o dia minha noite.
Vivo ao contrário
E tudo o que faço é misterioso…
Enveredei por caminhos do espírito
Esquecendo-me do corpo
Lá para trás.
Quando finalmente a ele regressei
Estava débil e apagado de virilidade,
Assombrado pelas teias secas
Da aranha fria do racional.
Quis que me tirassem dali
Mas fechei-me no quarto à chave
E só quem tinha outra chave igual
Não vinha
Por não saber onde estou,
Onde estava.
Caminhei ás escuras ao som do toque
E descobri frescuras que nunca ali
Em mim tinha visto.
Fiquei tão deslumbrado pelo escuro
Que nele me viciei.
Nele havia tudo de tempo
Feito sonho de sempre.
Maravilhei-me com a ausência de visão
E a perpetuação de vida encontrada
Me fez persistir.
Quando enfim esqueci o que procurava
Me levantei e caí de não andar à tanto.
A gatinhar, fruto de um segundo nascer,
Adiantei-me à porta que com
Um sussurro de vontade se abriu.
A luz era já de outra vida e não a reconhecia.
Falaram-me lá fora
Dizendo “vem”.
Que dificuldade tive em lembrar-me
Do significado desse som…
Lembrei-me e me levantei com a ajuda de mãos ternas
Avancei de mão estendida para a frente
Não parei!
Em anos de retorno e novas descobertas
Que quando trazidas
Aos raios de sol do presente
Se logo derretem em minhas mãos.
Ainda sofregamente tentava
Juntar as peças e não as deixar fugir
Depois já as sabia donas da razão
E segui só com meio coração.
A noite tornou-se meu dia
E o dia minha noite.
Vivo ao contrário
E tudo o que faço é misterioso…
Enveredei por caminhos do espírito
Esquecendo-me do corpo
Lá para trás.
Quando finalmente a ele regressei
Estava débil e apagado de virilidade,
Assombrado pelas teias secas
Da aranha fria do racional.
Quis que me tirassem dali
Mas fechei-me no quarto à chave
E só quem tinha outra chave igual
Não vinha
Por não saber onde estou,
Onde estava.
Caminhei ás escuras ao som do toque
E descobri frescuras que nunca ali
Em mim tinha visto.
Fiquei tão deslumbrado pelo escuro
Que nele me viciei.
Nele havia tudo de tempo
Feito sonho de sempre.
Maravilhei-me com a ausência de visão
E a perpetuação de vida encontrada
Me fez persistir.
Quando enfim esqueci o que procurava
Me levantei e caí de não andar à tanto.
A gatinhar, fruto de um segundo nascer,
Adiantei-me à porta que com
Um sussurro de vontade se abriu.
A luz era já de outra vida e não a reconhecia.
Falaram-me lá fora
Dizendo “vem”.
Que dificuldade tive em lembrar-me
Do significado desse som…
Lembrei-me e me levantei com a ajuda de mãos ternas
Avancei de mão estendida para a frente
Não parei!
Em tempos remotos jazia eu ao som do altifalante do rebanho
E levantava uma bandeira passiva dizendo nela:
“Sou Diferente”
Como estava no rebanho
Pensavam brincadeira.
Um dia olhei uma coisa linda
E de tão linda ser fiquei a vê-la
Distraído que me estava quieto
Enquanto que o rebanho prosseguia.
Quando tomei conhecimento de mim
Então vi que estava só e berrei lágrimas de medo.
De tanto as profetizar alto, á espera da morte,
(orgulhosa concerteza de meu medo)
Alguém me ouviu e de perto
Só senti uma mão a me dar a mão
E dizer silêncio.
Levou-me e eu ía, resignado, pensando
Que era a morte tão estranhamente terrena.
Quando passei o monte
Então vi a correria brincalhona
Das crianças e os animais imensos,
Espalhados, soltos, pela paisagem verdejante.
Vi o sol a nascer
E não podia crer que fosse a morte.
Perguntei então ao capucho, que acompanhava
A mão dada à minha, se era “isto” a morte.
Ela baixou o capucho e disse sorrindo:
“Não querido, isto é a Vida!”
E levantava uma bandeira passiva dizendo nela:
“Sou Diferente”
Como estava no rebanho
Pensavam brincadeira.
Um dia olhei uma coisa linda
E de tão linda ser fiquei a vê-la
Distraído que me estava quieto
Enquanto que o rebanho prosseguia.
Quando tomei conhecimento de mim
Então vi que estava só e berrei lágrimas de medo.
De tanto as profetizar alto, á espera da morte,
(orgulhosa concerteza de meu medo)
Alguém me ouviu e de perto
Só senti uma mão a me dar a mão
E dizer silêncio.
Levou-me e eu ía, resignado, pensando
Que era a morte tão estranhamente terrena.
Quando passei o monte
Então vi a correria brincalhona
Das crianças e os animais imensos,
Espalhados, soltos, pela paisagem verdejante.
Vi o sol a nascer
E não podia crer que fosse a morte.
Perguntei então ao capucho, que acompanhava
A mão dada à minha, se era “isto” a morte.
Ela baixou o capucho e disse sorrindo:
“Não querido, isto é a Vida!”
Era um tempo esquisito.
Tu no ar
Eu na terra
A lua era alta
No quase de cheia
Avisava o desuso
Do completo
Que se avizinhava
À (minha) vida em breve.
Corria o boato
Que me havia ido
E tu do céu
Caíste na terra,
Sendo que ela
Já não te conhecia o peso
Foste para dentro dela.
Feita toupeira
Te habituaste a cheirar
E a sentir mais que a olhar
E a ouvir
Então assim descobriste
Um novo teu ser
Que se não isto
Nunca havia havido.
Fui no autocarro das 19horas
E estava como que vazio
Só com um casal de velhos simpáticos.
Olhava as horas,
Pensava passado
E tudo o que imaginava futuro
Sorria, feito prelúdio do presente.
Havia sido um desdentado
Que pouco comia.
Hoje com todos os dentes
Como o que quero
E do que quero posso
Comer tudo!
Sou sortudo, não há duvida,
E tu toupeira…
Tu no ar
Eu na terra
A lua era alta
No quase de cheia
Avisava o desuso
Do completo
Que se avizinhava
À (minha) vida em breve.
Corria o boato
Que me havia ido
E tu do céu
Caíste na terra,
Sendo que ela
Já não te conhecia o peso
Foste para dentro dela.
Feita toupeira
Te habituaste a cheirar
E a sentir mais que a olhar
E a ouvir
Então assim descobriste
Um novo teu ser
Que se não isto
Nunca havia havido.
Fui no autocarro das 19horas
E estava como que vazio
Só com um casal de velhos simpáticos.
Olhava as horas,
Pensava passado
E tudo o que imaginava futuro
Sorria, feito prelúdio do presente.
Havia sido um desdentado
Que pouco comia.
Hoje com todos os dentes
Como o que quero
E do que quero posso
Comer tudo!
Sou sortudo, não há duvida,
E tu toupeira…
Escrevinhava de portas abertas,
Ouvia o vento sussurrar,
E escrevia.
Tempo passava e escrevia incessante
Historias que desejava viver.
A noite finalmente chegava
E ele desiludido parava.
“Mais um dia,
Nada aconteceu!”
Comia,
Se deitava “ amanhã, é outro dia”
Assim dizia.
De manhã comia
Se sentava e escrevia.
Nada,
Um dia mais.
“Há que persistir” se aconselhava.
No dia seguinte bateram à porta,
Ele fudido da vida,
Foi-a receber.
Jovem muda, doce que figurou
Entrada tal princesa.
Corou e a apresentou ao vazio
De seu espaço de escritor.
Ela sentou
E então falou por gestos
Ao que o tradutor deu voz:
“Venho da cidade de Jerelada,
Disseram-me que aqui figurava
Um jovem talento que não se encontrava,
Portanto venho ao seu encontro;
Estou aqui para o inspirar.
Sou Musa da ilha de Isilomena
E meu dever
É o reerguer em frente da estátua vivente!”
Calou-se por um tanto momento,
Ao que o jovem se prestou a reflectir intimamente.
“Parece que conheço isto,
Parece que já escrevi algo assim em tempos antigos,
Lembro-me desta história.” pensava ele.
Ela levantou os olhos e o olhou:
“Sim, sou eu:
Criada por seus sonhos,
Já antes de os ter existia eu,
Sou sua,
Seu encontro do sonho com o real.
Venho-lhe destinada.
O que sonha existe
E de o tanto acreditar magnetizou
A seu favor as forças do real.
Há forças, às quais sirvo,
Que não vejo mas sinto
Que me levaram a este espaço, a esta casa.
Aqui devo estar porque assim sinto.”
Ele não acreditava no que ouvia,
Baixava olhos e tocava e mexia as mãos.
Ela por fim disse:
“Agora tens tu de acreditar!”
Ouvia o vento sussurrar,
E escrevia.
Tempo passava e escrevia incessante
Historias que desejava viver.
A noite finalmente chegava
E ele desiludido parava.
“Mais um dia,
Nada aconteceu!”
Comia,
Se deitava “ amanhã, é outro dia”
Assim dizia.
De manhã comia
Se sentava e escrevia.
Nada,
Um dia mais.
“Há que persistir” se aconselhava.
No dia seguinte bateram à porta,
Ele fudido da vida,
Foi-a receber.
Jovem muda, doce que figurou
Entrada tal princesa.
Corou e a apresentou ao vazio
De seu espaço de escritor.
Ela sentou
E então falou por gestos
Ao que o tradutor deu voz:
“Venho da cidade de Jerelada,
Disseram-me que aqui figurava
Um jovem talento que não se encontrava,
Portanto venho ao seu encontro;
Estou aqui para o inspirar.
Sou Musa da ilha de Isilomena
E meu dever
É o reerguer em frente da estátua vivente!”
Calou-se por um tanto momento,
Ao que o jovem se prestou a reflectir intimamente.
“Parece que conheço isto,
Parece que já escrevi algo assim em tempos antigos,
Lembro-me desta história.” pensava ele.
Ela levantou os olhos e o olhou:
“Sim, sou eu:
Criada por seus sonhos,
Já antes de os ter existia eu,
Sou sua,
Seu encontro do sonho com o real.
Venho-lhe destinada.
O que sonha existe
E de o tanto acreditar magnetizou
A seu favor as forças do real.
Há forças, às quais sirvo,
Que não vejo mas sinto
Que me levaram a este espaço, a esta casa.
Aqui devo estar porque assim sinto.”
Ele não acreditava no que ouvia,
Baixava olhos e tocava e mexia as mãos.
Ela por fim disse:
“Agora tens tu de acreditar!”
Alegria fingida
Alegria de estar
Alegria de não reconhecer
E se abastar.
Alegria fria
Que arrasa emoção
Alegria alegre
Sem, de todo, um coração.
Alegria, estar alegre,
Mais para cima que para baixo
O cão ladra e não é ouvido.
Alegria de não saber estar
E somar anos ao corpo.
Alegria de morrer
Fingindo que viveu.
Alegria de nada vingar e ficar e ficar.
Alegria de estar
Alegria de não reconhecer
E se abastar.
Alegria fria
Que arrasa emoção
Alegria alegre
Sem, de todo, um coração.
Alegria, estar alegre,
Mais para cima que para baixo
O cão ladra e não é ouvido.
Alegria de não saber estar
E somar anos ao corpo.
Alegria de morrer
Fingindo que viveu.
Alegria de nada vingar e ficar e ficar.
Em tempos aéreos me julguei perdido
Sabendo eu agora que estava
Me encontrando.
Tempos em que o espírito
Vive tão intenso
Porque fora do corpo,
Tempos em que a imagem real
Dos outros seres humanos
Parece, aí sim, sonho ou pesadelo.
A marca da distância
Em tudo o que vi,
O afecto impossível
Ao alcance das mãos.
Sereias do meu passado de luz
Onde vivia o inferno
Para idealizar o céu.
Os meus belos tempos aéreos,
Tanto sonho e fantasia viviam soltos de mim
Sendo eu o único espectador
De tal divino espectáculo
Ou manifestação.
A sorte de ser assim,
Como sou,
Leva-me a tudo onde se pode ir
E nisto me agradeço.
Não guardo qualquer desprezo
Por tudo o que seja vida
Antes um enorme e calorento carinho.
Fica sempre a possibilidade
De se não viver, então sonhar
E viver, assim, a imaginação
Como que mais real que a própria Criação.
Quer-se o criador em terreno fértil?
Não, assim ele não cria a mais terrena salvação!
Há que ir aos demónios da inacção
E demais angústia para de nenhuma saída
Inventar a única que lida com tudo,
Com todos.
Sabendo eu agora que estava
Me encontrando.
Tempos em que o espírito
Vive tão intenso
Porque fora do corpo,
Tempos em que a imagem real
Dos outros seres humanos
Parece, aí sim, sonho ou pesadelo.
A marca da distância
Em tudo o que vi,
O afecto impossível
Ao alcance das mãos.
Sereias do meu passado de luz
Onde vivia o inferno
Para idealizar o céu.
Os meus belos tempos aéreos,
Tanto sonho e fantasia viviam soltos de mim
Sendo eu o único espectador
De tal divino espectáculo
Ou manifestação.
A sorte de ser assim,
Como sou,
Leva-me a tudo onde se pode ir
E nisto me agradeço.
Não guardo qualquer desprezo
Por tudo o que seja vida
Antes um enorme e calorento carinho.
Fica sempre a possibilidade
De se não viver, então sonhar
E viver, assim, a imaginação
Como que mais real que a própria Criação.
Quer-se o criador em terreno fértil?
Não, assim ele não cria a mais terrena salvação!
Há que ir aos demónios da inacção
E demais angústia para de nenhuma saída
Inventar a única que lida com tudo,
Com todos.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Um acaso que fica por deslumbrar,
Um espelho fixo que se fica pelo meio do reflexo
Deixando o outro, com céu que não se vê sem o que o espelho mostra.
Lágrima corre lenta a face que se quase olha ao espelho
Que só meio mostra.
Um relance, de repente, o que lá não estava que agora está.
Um tão sim que como que parece não…
Além o escuro do não espelho,
Embora que meio ainda é,
De facto,
Um espelho que reflecte meio.
Um espelho fixo que se fica pelo meio do reflexo
Deixando o outro, com céu que não se vê sem o que o espelho mostra.
Lágrima corre lenta a face que se quase olha ao espelho
Que só meio mostra.
Um relance, de repente, o que lá não estava que agora está.
Um tão sim que como que parece não…
Além o escuro do não espelho,
Embora que meio ainda é,
De facto,
Um espelho que reflecte meio.
Num relance de fosfato de sódio
Lamurio meu olhar
De luzes estranhas ao luar.
Brinco ao silêncio com meu corpo
Dançando o vento,
Dispo-me do frio do tempo
E acaloro-me na desmedida inovação
De que me basta estar vivo.
Fiquei por aqui
E o tempo me diz
Em pausas serenas, sim.
Ilumino a consciência e vou-me deslumbrando
Com o que sinto
Me esquecendo dos fatalismos infantis
Que me vão surgindo
E aproveitando o pão acabado de fazer
Que barro com manteiga.
Ai, tristeza alegre,
É tudo o que de muito me resta.
Que minha felicidade é um tufão
Que leva os demónios consigo
Sem deles se livrar pois por consequente
São também meus amigos,
Fazem-me crescer.
A vida tem de tudo
E de ela não se controla.
Há que a explorar com sorriso humilde
Sereno.
Que por mais que ela queira
Nos estorvar
Há sempre muito ainda
Por manifestar, vergar, moldar,
Para que a saudade que haja se torne sempre
Na certeza de um céu,
De um mar,
Que está, que fica,
Que vai e se renova constante
Para sempre:
A vida flui.
Lamurio meu olhar
De luzes estranhas ao luar.
Brinco ao silêncio com meu corpo
Dançando o vento,
Dispo-me do frio do tempo
E acaloro-me na desmedida inovação
De que me basta estar vivo.
Fiquei por aqui
E o tempo me diz
Em pausas serenas, sim.
Ilumino a consciência e vou-me deslumbrando
Com o que sinto
Me esquecendo dos fatalismos infantis
Que me vão surgindo
E aproveitando o pão acabado de fazer
Que barro com manteiga.
Ai, tristeza alegre,
É tudo o que de muito me resta.
Que minha felicidade é um tufão
Que leva os demónios consigo
Sem deles se livrar pois por consequente
São também meus amigos,
Fazem-me crescer.
A vida tem de tudo
E de ela não se controla.
Há que a explorar com sorriso humilde
Sereno.
Que por mais que ela queira
Nos estorvar
Há sempre muito ainda
Por manifestar, vergar, moldar,
Para que a saudade que haja se torne sempre
Na certeza de um céu,
De um mar,
Que está, que fica,
Que vai e se renova constante
Para sempre:
A vida flui.
No encanto de esmeralda acesa
Cessa o canto
Inaudível dessa vossa ave rara.
Com o tempo foi minha
Hoje é vossa
E a noite que o dia vos tem sido
É porque a ave
Cansada de ser de alguém
Quer ser de ninguém.
Amanhã a terna brisa
Alcançará o desdém que hoje
Por aqui paira e havemos de
Sentir de novo a Deusa-mãe,
Até lá a espera é o presente.
Cessa o canto
Inaudível dessa vossa ave rara.
Com o tempo foi minha
Hoje é vossa
E a noite que o dia vos tem sido
É porque a ave
Cansada de ser de alguém
Quer ser de ninguém.
Amanhã a terna brisa
Alcançará o desdém que hoje
Por aqui paira e havemos de
Sentir de novo a Deusa-mãe,
Até lá a espera é o presente.
Inauguro o prestante
Conheço o elegante
Desapareço fora frio por desnascer
Cá dentro o calor por um dia morrer.
Noite dentro firmo o tempo em água,
Corre solta e de liquida a congelo em anéis
Que visto em meu corpo, agora azul.
Nasce a preguiçosa múmia
Que me açoita o jantar
Brinca fome a sua
Enquanto me encarrego de almoçar.
Quem és, desdenhoso ser que me perturba o sono?
Um cantor, uma libelinha?
Uma sede ceguinha?
Não, és só tu: Luís de Sousa!
Sonho santo que me não dá meu
Me deixa vida.
Elaboras a cinta que um dia prender-te-à.
Jogas fora a maçã e a compota do pão
E sangras os olhos e despes a pele.
Quero um pouco mais daquilo que não existe se faz favor,
Aqui disto que vejo não me chega.
Creio, acontece da desagrega,
E enlaço meu corpo
Em desgraça alheia
Que me convida a entrar.
Ai que cedo se me assola o sono
Nunca o cansaço e a destreza em o saber ter
Me engana que posso dormir.
Mas devia estar sempre desperto, fazer o dobro do mundo inteiro!
Prestar-me à vida.
Estar cá em baixo bem dormindo
Não vale já rigorosamente nada!
Conheço o elegante
Desapareço fora frio por desnascer
Cá dentro o calor por um dia morrer.
Noite dentro firmo o tempo em água,
Corre solta e de liquida a congelo em anéis
Que visto em meu corpo, agora azul.
Nasce a preguiçosa múmia
Que me açoita o jantar
Brinca fome a sua
Enquanto me encarrego de almoçar.
Quem és, desdenhoso ser que me perturba o sono?
Um cantor, uma libelinha?
Uma sede ceguinha?
Não, és só tu: Luís de Sousa!
Sonho santo que me não dá meu
Me deixa vida.
Elaboras a cinta que um dia prender-te-à.
Jogas fora a maçã e a compota do pão
E sangras os olhos e despes a pele.
Quero um pouco mais daquilo que não existe se faz favor,
Aqui disto que vejo não me chega.
Creio, acontece da desagrega,
E enlaço meu corpo
Em desgraça alheia
Que me convida a entrar.
Ai que cedo se me assola o sono
Nunca o cansaço e a destreza em o saber ter
Me engana que posso dormir.
Mas devia estar sempre desperto, fazer o dobro do mundo inteiro!
Prestar-me à vida.
Estar cá em baixo bem dormindo
Não vale já rigorosamente nada!
É tarde na manhã ,
Me cansa o físico e suas doenças,
Visto o casaco
E vou à rua buscar pão.
Como eu, entra uma jovem
Que se esconde do mundo
Com ostentação.
Fico-me logo tenso e descoberto
Pronto a desfalecer ou enlouquecer.
Me controlo entre o pensamento fútil mental
E o pensamento fútil do real
Que oiço e vejo os velhos
A falar à nossa volta.
Simultâneo desprezo e afecto
Por esta gente
Que ocupa os arredores da capital
Com seu pensamento certo e simples.
Olho-a de relance e
Me olha com interesse feminino
De baixar cabeça discretamente envergonhada.
Eu não sei
Se me permito envergonhar
Mas enlouqueço, certamente, um pouco mais.
Distâncias do prazer…
Já lhes meti bandeira mas as financio de longe.
Mantenho-as,
Mas são como ilhas longe da Terra-Estado.
E ilhas não se mexem
Mas este ser se mexe e de forma
Deveras deliciosa.
Não lhe quero mostrar demasiado interesse
Que ainda tem ela a ousadia de me interceptar existência.
Meu fogo arde só minha querida,
Hoje não,
Havias de me encontrar num dia bom
Á hora exacta em que estou desperto e disponível
A me ceder voluntariamente muito ao mundo.
Mas nesses dias, é certo, nunca te vejo…
Me cansa o físico e suas doenças,
Visto o casaco
E vou à rua buscar pão.
Como eu, entra uma jovem
Que se esconde do mundo
Com ostentação.
Fico-me logo tenso e descoberto
Pronto a desfalecer ou enlouquecer.
Me controlo entre o pensamento fútil mental
E o pensamento fútil do real
Que oiço e vejo os velhos
A falar à nossa volta.
Simultâneo desprezo e afecto
Por esta gente
Que ocupa os arredores da capital
Com seu pensamento certo e simples.
Olho-a de relance e
Me olha com interesse feminino
De baixar cabeça discretamente envergonhada.
Eu não sei
Se me permito envergonhar
Mas enlouqueço, certamente, um pouco mais.
Distâncias do prazer…
Já lhes meti bandeira mas as financio de longe.
Mantenho-as,
Mas são como ilhas longe da Terra-Estado.
E ilhas não se mexem
Mas este ser se mexe e de forma
Deveras deliciosa.
Não lhe quero mostrar demasiado interesse
Que ainda tem ela a ousadia de me interceptar existência.
Meu fogo arde só minha querida,
Hoje não,
Havias de me encontrar num dia bom
Á hora exacta em que estou desperto e disponível
A me ceder voluntariamente muito ao mundo.
Mas nesses dias, é certo, nunca te vejo…
Cigarro tu que és amigo de quem
Contempla,
Amigo de quem invoca a morte ao presente.
Chama dos tempos primordiais de um fogo
Inspirado pelo mais divino dos órgãos
Que nos sustêm:
Pulmões.
Cigarro, por mais que hoje muito humano
Te diga diabo,
Te asseguro divino.
Me ligas ás tribos que vivem ainda na floresta
E me sirvo orgulhoso, ao propósito,
De te acender e inspirar.
Cigarro, tu que tiras
Forças para dares aquelas outras,
As essenciais,
Do pensar, o sentimento
Como forma espiritual do humano.
Cigarro tu que em excesso matas
E em calma iluminas
O fogo transcendental da consciência.
Cigarro, tu que me deslocas da tontura
Do produtivismo
E me asseguras que o real prazer
É saber-se vivo e assim
O se sentir bem dentro de si.
Cigarro, isto que és, que és tu, e que eu te agradeço.
Contempla,
Amigo de quem invoca a morte ao presente.
Chama dos tempos primordiais de um fogo
Inspirado pelo mais divino dos órgãos
Que nos sustêm:
Pulmões.
Cigarro, por mais que hoje muito humano
Te diga diabo,
Te asseguro divino.
Me ligas ás tribos que vivem ainda na floresta
E me sirvo orgulhoso, ao propósito,
De te acender e inspirar.
Cigarro, tu que tiras
Forças para dares aquelas outras,
As essenciais,
Do pensar, o sentimento
Como forma espiritual do humano.
Cigarro tu que em excesso matas
E em calma iluminas
O fogo transcendental da consciência.
Cigarro, tu que me deslocas da tontura
Do produtivismo
E me asseguras que o real prazer
É saber-se vivo e assim
O se sentir bem dentro de si.
Cigarro, isto que és, que és tu, e que eu te agradeço.
Averiguo noite dentro
As peripécias do caminho
Me julgando sozinho
Saltam da rua,
Ao som de minha caminhada,
Palmas
Os amigos fantasma
Que se foram
E os outros que hão de vir.
Logo me cesso no casulo estridente
De musica silenciosa
Que não se ouve
E só demais me aquece o coração.
Calçada húmida de chuva que teima em cair invisível
Ao som da humidade…
Desperto acompanhado
Das palmas,
É certo,
Que são para mim
E de nada me alegro
Antes serenizo meu estado de conquista
Ao êxtase do cessar de armas
De vitoria à vista.
Servem-me bem os fantasmas
Sei que fruto da mente
Mas minha mente já não mente
A desbloqueei com a consciência e ela agora
Flora orgânica os ventos astrais
Que me interceptam
Aclamando a frutos que já não existem na terra
Mas no espírito o sempre é presente.
Falo a sombras:
Umas vejo olhos,
Outras boca,
Outras,
As mais belas,
Só vejo o coração
Que palpita vermelho
Avermelhando o escuro da sombra
Em tons de outro mundo,
O meu mundo.
Já é madrugada de um novo vindouro dia
Mas o sol ainda se não mostrou
A mim e ao mundo,
Está escuro mas
Quase que já quente.
Com sono…
Sono ou cansado ou já um tanto ressacado
De meu agora anterior momentâneo sonho.
Chaves, porta, casa, quarto, cama,
Amanha é dia,
Amanha há vida.
As peripécias do caminho
Me julgando sozinho
Saltam da rua,
Ao som de minha caminhada,
Palmas
Os amigos fantasma
Que se foram
E os outros que hão de vir.
Logo me cesso no casulo estridente
De musica silenciosa
Que não se ouve
E só demais me aquece o coração.
Calçada húmida de chuva que teima em cair invisível
Ao som da humidade…
Desperto acompanhado
Das palmas,
É certo,
Que são para mim
E de nada me alegro
Antes serenizo meu estado de conquista
Ao êxtase do cessar de armas
De vitoria à vista.
Servem-me bem os fantasmas
Sei que fruto da mente
Mas minha mente já não mente
A desbloqueei com a consciência e ela agora
Flora orgânica os ventos astrais
Que me interceptam
Aclamando a frutos que já não existem na terra
Mas no espírito o sempre é presente.
Falo a sombras:
Umas vejo olhos,
Outras boca,
Outras,
As mais belas,
Só vejo o coração
Que palpita vermelho
Avermelhando o escuro da sombra
Em tons de outro mundo,
O meu mundo.
Já é madrugada de um novo vindouro dia
Mas o sol ainda se não mostrou
A mim e ao mundo,
Está escuro mas
Quase que já quente.
Com sono…
Sono ou cansado ou já um tanto ressacado
De meu agora anterior momentâneo sonho.
Chaves, porta, casa, quarto, cama,
Amanha é dia,
Amanha há vida.
É um canto escuro
Onde me aprumo,
Guardo lenços e lembranças
Rasgo amarguras e choro alegria
Para a ressuscitar em ternura.
Aliado a mim só o sol:
Só generosidade.
Aqueço o dom
Pondo-o em prática:
Desenvolver, desenvolver
Que não haja fim
Ou sim que haja
Mas tão só lá
Mais bem para a frente.
Aqui me reconheço completo e chega.
Onde me aprumo,
Guardo lenços e lembranças
Rasgo amarguras e choro alegria
Para a ressuscitar em ternura.
Aliado a mim só o sol:
Só generosidade.
Aqueço o dom
Pondo-o em prática:
Desenvolver, desenvolver
Que não haja fim
Ou sim que haja
Mas tão só lá
Mais bem para a frente.
Aqui me reconheço completo e chega.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Quis esperar-te na sede do café
E de tanto te demoraste
Que escolhi saciar-me à tristeza
Num jogo de solidão atroz.
Quem te viu me disse
E a ti te disseram que me tinha esquartejado
Como escultura andante à tua espera.
Surpresa, admirada, te comoveste
Com a projecção real de tua ideia minha
Na sede do café como eu que sou.
Apressas-te a me vir ao encontro
Estando eu nas lacunas do prazer louco
De com ninguém andar a estar.
Chegas e mais uma vez nem vestígios
De minha carne.
Esperas porta sentada,
Olhas em volta,
Pensas do que foges
E olhas o que pensas.
Finalmente chego exausto da correria
Da minha loucura
E soltas tal grito que logo me presto
Sóbrio de o não estar.
Sorrisos, calor, e amor
A pairar pelos calcanhares.
Entramos, sentas-te e eu me deito.
Recordas a noite de ontem
Como se de toda uma vida se tratasse
E eu de silêncio te decifro
O que foi que não foi
Da minha vida antes de tu chegaste.
Além que eu sou eu e tu és tu,
Somos juntos.
E de tanto te demoraste
Que escolhi saciar-me à tristeza
Num jogo de solidão atroz.
Quem te viu me disse
E a ti te disseram que me tinha esquartejado
Como escultura andante à tua espera.
Surpresa, admirada, te comoveste
Com a projecção real de tua ideia minha
Na sede do café como eu que sou.
Apressas-te a me vir ao encontro
Estando eu nas lacunas do prazer louco
De com ninguém andar a estar.
Chegas e mais uma vez nem vestígios
De minha carne.
Esperas porta sentada,
Olhas em volta,
Pensas do que foges
E olhas o que pensas.
Finalmente chego exausto da correria
Da minha loucura
E soltas tal grito que logo me presto
Sóbrio de o não estar.
Sorrisos, calor, e amor
A pairar pelos calcanhares.
Entramos, sentas-te e eu me deito.
Recordas a noite de ontem
Como se de toda uma vida se tratasse
E eu de silêncio te decifro
O que foi que não foi
Da minha vida antes de tu chegaste.
Além que eu sou eu e tu és tu,
Somos juntos.
Parado,
Estou paradinho
Aguardo a hora
Esqueço a miragem do que quis minha vida
Floro-a finda, de momento,
A escondo aos olhos dos passageiros
E vejo-a cega me olhando.
“de nada” responde ela
Nem me deixando agradecer,
Meteu-se à frente de meu presente
Roubando protagonismo ao momento
Aliciante de simpatia.
Rédeas curtas no corpo,
Ele me é pequeno mas indomável.
Forjado por forças
Que não as minhas
Veste-se fardado
A uma outra ordem militar, politica
Ou seja lá o que for que é.
Certo, mas parado,
Estava parado,
Paradinho, parado
Na esquina das ruas curvas da praça do João sabes?
Ah que pouco interessa,
És surda…
Para quem me falo eu minha querida?
A enlaçar-me nos cordões umbilicais falsos
Da actual socialização
É que não!
Alheio, alheio me quero
Passageiro a tudo o que hoje
Se grita permanente,
Visceral.
Eu bocejo
Seguindo-se um modesto sim
Pela boca
Como gesto de mão despreocupado.
Visto o casaco que começa a ficar frio,
Olho as horas do relógio da praça
E me parece que parado
Pois não pode ser,
São horas da noite
E raia o sol!
Esqueço,
Deve ser miragem de minha sedenta mente.
Vou comer
Que passa o céu
E vem terra para o estômago se me acalmar.
Saliento com orgulho
Que almocei por 4,90euros tudo!
Desde sopa, prato principal, café, sobremesa, cerveja
Assim sim ali no café “além-mar”.
Moças me vislumbram o olhar
E eu de vermelho ficar
Se me sorriram tão prazeirosamente.
Nada de me diminuírem,
Antes aquele jogo
Belo e estratégico
Que os adultos fazem
Por entendimento mútuo.
É, hoje vou dar um passeio,
É certo,
Um grande passeio!
Estou paradinho
Aguardo a hora
Esqueço a miragem do que quis minha vida
Floro-a finda, de momento,
A escondo aos olhos dos passageiros
E vejo-a cega me olhando.
“de nada” responde ela
Nem me deixando agradecer,
Meteu-se à frente de meu presente
Roubando protagonismo ao momento
Aliciante de simpatia.
Rédeas curtas no corpo,
Ele me é pequeno mas indomável.
Forjado por forças
Que não as minhas
Veste-se fardado
A uma outra ordem militar, politica
Ou seja lá o que for que é.
Certo, mas parado,
Estava parado,
Paradinho, parado
Na esquina das ruas curvas da praça do João sabes?
Ah que pouco interessa,
És surda…
Para quem me falo eu minha querida?
A enlaçar-me nos cordões umbilicais falsos
Da actual socialização
É que não!
Alheio, alheio me quero
Passageiro a tudo o que hoje
Se grita permanente,
Visceral.
Eu bocejo
Seguindo-se um modesto sim
Pela boca
Como gesto de mão despreocupado.
Visto o casaco que começa a ficar frio,
Olho as horas do relógio da praça
E me parece que parado
Pois não pode ser,
São horas da noite
E raia o sol!
Esqueço,
Deve ser miragem de minha sedenta mente.
Vou comer
Que passa o céu
E vem terra para o estômago se me acalmar.
Saliento com orgulho
Que almocei por 4,90euros tudo!
Desde sopa, prato principal, café, sobremesa, cerveja
Assim sim ali no café “além-mar”.
Moças me vislumbram o olhar
E eu de vermelho ficar
Se me sorriram tão prazeirosamente.
Nada de me diminuírem,
Antes aquele jogo
Belo e estratégico
Que os adultos fazem
Por entendimento mútuo.
É, hoje vou dar um passeio,
É certo,
Um grande passeio!
O artista superior
Mantém a sua criança pura de todo o mundo que a viu nascer.
Sendo só uma criança, uma vida sem etiquetas,
Mantém-na para sempre até morrer dentro de si por nascer.
A pessoa comum não tem tanto “dó”,
Cedo lhe mete vários adereços, nomes,
Brincos, roupas fazendo desaparecer sua criança por detrás
De todo o mundo que a viu nascer.
A pessoa comum esquece sua criança pois a enfeita, aprisionando-a
Com os factores sempre fúteis de seu mundo contemporâneo.
Mantém a sua criança pura de todo o mundo que a viu nascer.
Sendo só uma criança, uma vida sem etiquetas,
Mantém-na para sempre até morrer dentro de si por nascer.
A pessoa comum não tem tanto “dó”,
Cedo lhe mete vários adereços, nomes,
Brincos, roupas fazendo desaparecer sua criança por detrás
De todo o mundo que a viu nascer.
A pessoa comum esquece sua criança pois a enfeita, aprisionando-a
Com os factores sempre fúteis de seu mundo contemporâneo.
Luz vaga de um lúgubre sórdido,
Alcance mão vã de imaginação supérflua
Ao acto da vida.
Esquecida numa das demais cadeiras pousadas
Pelo chão da sala
Olha fora a rua esquecida
Na sua própria lua.
Descrentes passarinhos
Se figuram dormindo,
Auscultando o sonho
De se não estarem.
Um bule de chá e um livro de leitura aberto
Pousado na coberta da janela
Não fomentam no agora
Grande ideal de vida…
Tempo passa, sono tarda,
Que de sono nada se tem
Quando ele é vivido consciente.
Amarga a cor do passado,
Queimada pelo caído
Sol do presente.
Proliferam desdéns pelo
Que ainda à pouco
Proclamava esperança.
É um, não sei quê,
De negro que entra na mente
E desespera o corpo subitamente.
A morte está certa
A vida com ela é que é desperdício.
Desce as escadas,
Cobre o bolo
Que só de uma fatia se perdeu.
Não dele gostaram os figurante do serão.
Fecha a janela e a cortina,
O frio corta a imagem
De que “isto” continua.
A fome é tanta
Mas como dela se sacia
Não há conhecimento.
Sobe as escadas,
Pensa sono
E logo ele se esvai
Em maior porção de consciência.
Não é que seja um turbilhão
Mas não há qualquer
Complacência pela paz da noite.
Que a noite fosse viva
Que eu assim pudesse ser morto.
Santos lençóis de me entardecer,
A noite é sempre uma promessa
De um sonho espaçoso e como que eterno.
Não que disso desejoso,
Só o racional se brinca com o sentimento.
A morte antecedesse.
Melhor assim,
Tomar conhecimento de seu paradeiro na vida
Antes do derradeiro conhecimento dela
No começo da não-vida.
Como é a não-vida,
Se vida em si não faz nada?
Ocidente, minha educação,
Vive morta por meu conhecimento
De quem vive vivo…
Além que de vida é um conceito humano
Para “isto” que se “experiencia”,
A morte também de conceito humano se trata
E a volúpia dos conceitos humanos
É sempre infantil e mesquinha.
Que a noite me venha
E traga consigo sono meu,
Que venha como que silenciosa abraçar-me
No (meu) leito como amante
De tempos passados,
Amoroso, nada apaixonado.
Sangra-me a vida em sonho
E deixa-me pelo menos em ti voar.
Alcance mão vã de imaginação supérflua
Ao acto da vida.
Esquecida numa das demais cadeiras pousadas
Pelo chão da sala
Olha fora a rua esquecida
Na sua própria lua.
Descrentes passarinhos
Se figuram dormindo,
Auscultando o sonho
De se não estarem.
Um bule de chá e um livro de leitura aberto
Pousado na coberta da janela
Não fomentam no agora
Grande ideal de vida…
Tempo passa, sono tarda,
Que de sono nada se tem
Quando ele é vivido consciente.
Amarga a cor do passado,
Queimada pelo caído
Sol do presente.
Proliferam desdéns pelo
Que ainda à pouco
Proclamava esperança.
É um, não sei quê,
De negro que entra na mente
E desespera o corpo subitamente.
A morte está certa
A vida com ela é que é desperdício.
Desce as escadas,
Cobre o bolo
Que só de uma fatia se perdeu.
Não dele gostaram os figurante do serão.
Fecha a janela e a cortina,
O frio corta a imagem
De que “isto” continua.
A fome é tanta
Mas como dela se sacia
Não há conhecimento.
Sobe as escadas,
Pensa sono
E logo ele se esvai
Em maior porção de consciência.
Não é que seja um turbilhão
Mas não há qualquer
Complacência pela paz da noite.
Que a noite fosse viva
Que eu assim pudesse ser morto.
Santos lençóis de me entardecer,
A noite é sempre uma promessa
De um sonho espaçoso e como que eterno.
Não que disso desejoso,
Só o racional se brinca com o sentimento.
A morte antecedesse.
Melhor assim,
Tomar conhecimento de seu paradeiro na vida
Antes do derradeiro conhecimento dela
No começo da não-vida.
Como é a não-vida,
Se vida em si não faz nada?
Ocidente, minha educação,
Vive morta por meu conhecimento
De quem vive vivo…
Além que de vida é um conceito humano
Para “isto” que se “experiencia”,
A morte também de conceito humano se trata
E a volúpia dos conceitos humanos
É sempre infantil e mesquinha.
Que a noite me venha
E traga consigo sono meu,
Que venha como que silenciosa abraçar-me
No (meu) leito como amante
De tempos passados,
Amoroso, nada apaixonado.
Sangra-me a vida em sonho
E deixa-me pelo menos em ti voar.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Que do longe de tu estares
Te sinto como que aqui.
Daí não de ti
Ter saudades
Como se estás em mim?
Só quando vejo teu físico,
Meu corpo se lembra
Com saudades, que
Na verdade existes
Ser mortal como eu.
O oceano a nos guardar
Segredos,
Nosso intelecto mantendo-se irmão.
Quem somos nós juntos?
Profetas da nova era?
Olha que eu creio que sim,
E meu crer
É deveras capaz
De realizar irrealidades!
Serei eu capaz de exacerbar as almas,
Me queridas,
Á forma de Deus como eu me sinto?
Serei eu fantasticamente dotado,
De um tal egoísmo nato,
Que com concentração
Realizo mundos sonhados?
Afinal, o que é o sonho senão uma certeza do que se sente?
E assim:
“A morte é uma certeza.”
Então, realizo o sonho
Com esta conclusão.
Larguei tudo o que me deram,
E fui com o que tinha,
Assim formei todo
O meu ser que sinto
Meu indubitavelmente.
Ninguém o pode tocar,
Ninguém o pode questionar,
Já que se trata
De uma certeza minha.
Que me digam que vou no mau caminho,
Que me estou a destruir,
Lhes direi tranquilo
Que é deveras o meu caminho.
Ter essa certeza, é uma libertação das incertezas
Tão pegajosas ao ser humano.
A mágoa já não a vejo
Como minha, antes do meu corpo.
A minha tristeza é seda
Que acariciará a próxima vítima
De meu monstruoso afecto!
Te sinto como que aqui.
Daí não de ti
Ter saudades
Como se estás em mim?
Só quando vejo teu físico,
Meu corpo se lembra
Com saudades, que
Na verdade existes
Ser mortal como eu.
O oceano a nos guardar
Segredos,
Nosso intelecto mantendo-se irmão.
Quem somos nós juntos?
Profetas da nova era?
Olha que eu creio que sim,
E meu crer
É deveras capaz
De realizar irrealidades!
Serei eu capaz de exacerbar as almas,
Me queridas,
Á forma de Deus como eu me sinto?
Serei eu fantasticamente dotado,
De um tal egoísmo nato,
Que com concentração
Realizo mundos sonhados?
Afinal, o que é o sonho senão uma certeza do que se sente?
E assim:
“A morte é uma certeza.”
Então, realizo o sonho
Com esta conclusão.
Larguei tudo o que me deram,
E fui com o que tinha,
Assim formei todo
O meu ser que sinto
Meu indubitavelmente.
Ninguém o pode tocar,
Ninguém o pode questionar,
Já que se trata
De uma certeza minha.
Que me digam que vou no mau caminho,
Que me estou a destruir,
Lhes direi tranquilo
Que é deveras o meu caminho.
Ter essa certeza, é uma libertação das incertezas
Tão pegajosas ao ser humano.
A mágoa já não a vejo
Como minha, antes do meu corpo.
A minha tristeza é seda
Que acariciará a próxima vítima
De meu monstruoso afecto!
A única razão
Com que eu descubro
Com facilidade aparente a verdade,
Que não existe,
Da existência
É porque o que eu
Desejaria efectivamente
Era estar a viver.
Desprezo isto de pensar
E saber escrever.
Antes me seria mais difícil pedir um café
Que explicar a razão do homem
Ter de crer numa qualquer religião.
Difícil para mim é resignar-me
Ao espaço envolvente,
Á vida e ás pessoas
Que me rodeiam,
Isso sim para mim é difícil.
A incomunhão com que
Nos socializamos
É-me inverosímil!
Não compreendo
Esta conversa prática
E metódica sobre o nada que não somos
Que estamos a ser.
Desprezo qualquer inteligência,
Queria antes ser cão ou tartaruga,
Melhor cão, sim, só teria de agradar o meu dono para ser feliz.
Com que eu descubro
Com facilidade aparente a verdade,
Que não existe,
Da existência
É porque o que eu
Desejaria efectivamente
Era estar a viver.
Desprezo isto de pensar
E saber escrever.
Antes me seria mais difícil pedir um café
Que explicar a razão do homem
Ter de crer numa qualquer religião.
Difícil para mim é resignar-me
Ao espaço envolvente,
Á vida e ás pessoas
Que me rodeiam,
Isso sim para mim é difícil.
A incomunhão com que
Nos socializamos
É-me inverosímil!
Não compreendo
Esta conversa prática
E metódica sobre o nada que não somos
Que estamos a ser.
Desprezo qualquer inteligência,
Queria antes ser cão ou tartaruga,
Melhor cão, sim, só teria de agradar o meu dono para ser feliz.
Na tirada de me querer persuadir a escrever,
Escrevo um belo dia que o mar acompanha
Em som e visão.
Leio meu irmão Pessoa
E me rejubilo de amor por ele,
Por seu intelecto amoroso e sábio.
Que a vida devia ser infinita como a deveras sinto.
Como é possível um dia
Ser sem eu o estar a ver?
Pessoas na praia.
No mesmo meu dia
Sentem um outro,
Uns com licores de esperança
Outros, azeda especiaria que, quem sabe, apreciam.
Logo, o dia em si existirá?
Como o vejo,
Dia independente de mim,
Ele não tem qualquer significado nem conclusão,
É só um conjunto infinito de coisas que juntas formam um dia
Que por resquícios da minha vida passada
Interpreto como lindo.
Mas na verdade,
Hoje sendo eu a ausência que sou
E propondo-me a interpretar o que “é” sem mim,
Este dia até é triste, feio
Pois me invoca a esperança primitiva
Em que já não creio.
Aliás, hoje o dia
Ou a noite para mim, pouco existem
Já que não me interpreto vivo.
Sou só aquilo
Que penso no momento.
Entertainer do meu corpo
Só para que ele não me morra.
É uma experiência,
Não um suicídio.
É uma resignação,
Não uma desistência.
É só aquilo que sou de momento.
Escrevo um belo dia que o mar acompanha
Em som e visão.
Leio meu irmão Pessoa
E me rejubilo de amor por ele,
Por seu intelecto amoroso e sábio.
Que a vida devia ser infinita como a deveras sinto.
Como é possível um dia
Ser sem eu o estar a ver?
Pessoas na praia.
No mesmo meu dia
Sentem um outro,
Uns com licores de esperança
Outros, azeda especiaria que, quem sabe, apreciam.
Logo, o dia em si existirá?
Como o vejo,
Dia independente de mim,
Ele não tem qualquer significado nem conclusão,
É só um conjunto infinito de coisas que juntas formam um dia
Que por resquícios da minha vida passada
Interpreto como lindo.
Mas na verdade,
Hoje sendo eu a ausência que sou
E propondo-me a interpretar o que “é” sem mim,
Este dia até é triste, feio
Pois me invoca a esperança primitiva
Em que já não creio.
Aliás, hoje o dia
Ou a noite para mim, pouco existem
Já que não me interpreto vivo.
Sou só aquilo
Que penso no momento.
Entertainer do meu corpo
Só para que ele não me morra.
É uma experiência,
Não um suicídio.
É uma resignação,
Não uma desistência.
É só aquilo que sou de momento.
Elaborada singela produção,
Inaugura espectáculo noite dentro,
Queria uma tão tamanha,
Que logo tropeçou na gente que não veio para ser espectador…
Engana-se o destino com o acto de cobardia
De se pensar em si para fazer para os outros.
Banca-rota, não mais espectáculo
E as incessantes ideias engolem-no a mente
Enquanto os empréstimos se encarregam do corpo.
Vazio de vagabundo.
Grande promissor industrial da cultura e arte,
Pede cigarros e esmola
No cruzamento da rua doutor João Pires com a rua Adelaide Reis.
Coitado, quem o vê não sabe
Mas ali jaz um homem
Que de futuro morreu presente
E a sua aura,
Antes abrangente,
Hoje se queda como que inexistente.
A lei dos homens como toda a lei
É cruel a quem não a ela se submete.
O artista morre prematuro
Se verga as linhas do destino.
Inaugura espectáculo noite dentro,
Queria uma tão tamanha,
Que logo tropeçou na gente que não veio para ser espectador…
Engana-se o destino com o acto de cobardia
De se pensar em si para fazer para os outros.
Banca-rota, não mais espectáculo
E as incessantes ideias engolem-no a mente
Enquanto os empréstimos se encarregam do corpo.
Vazio de vagabundo.
Grande promissor industrial da cultura e arte,
Pede cigarros e esmola
No cruzamento da rua doutor João Pires com a rua Adelaide Reis.
Coitado, quem o vê não sabe
Mas ali jaz um homem
Que de futuro morreu presente
E a sua aura,
Antes abrangente,
Hoje se queda como que inexistente.
A lei dos homens como toda a lei
É cruel a quem não a ela se submete.
O artista morre prematuro
Se verga as linhas do destino.
Deixar os doentes com a doença.
Ser são, se o se for de origem,
Com honra de guerreiro antigo.
Ser são é saber o que se tem,
E o que não nos é próprio, não nos pertence.
E pouco é o que se pertence
Quando se é são,
Resume-se à vontade,
Atrás dela vai o corpo e toda a mente.
Que o ser são é o mais precioso dos seres,
Porque não se defende mas se esconde,
Não ataca mas sabe,
Não olha mas vê.
O ser mais precioso,
Pois sabe que tudo do mundo
Se resume a si mesmo
E se sua beleza brota do fundo de si
O mundo sempre o reflecte.
O ser são é aquele que não pede mas consegue,
Não por fruto da fala mas do olhar.
O ser são é aquele que está consigo
Em silêncio
E de o tão bem estar,
Desaparece e só vê e sente o mundo que lhe aparece, nu.
O ser são é aquele
Que se junta à natureza
(Sua suprema-mãe).
Junta-se a esta ode de existência
Que não tem razão
Mas por isso mesmo é tão mais bela e inocente.
Há vida,
O resto pouco ou nada interessa.
Ser são, se o se for de origem,
Com honra de guerreiro antigo.
Ser são é saber o que se tem,
E o que não nos é próprio, não nos pertence.
E pouco é o que se pertence
Quando se é são,
Resume-se à vontade,
Atrás dela vai o corpo e toda a mente.
Que o ser são é o mais precioso dos seres,
Porque não se defende mas se esconde,
Não ataca mas sabe,
Não olha mas vê.
O ser mais precioso,
Pois sabe que tudo do mundo
Se resume a si mesmo
E se sua beleza brota do fundo de si
O mundo sempre o reflecte.
O ser são é aquele que não pede mas consegue,
Não por fruto da fala mas do olhar.
O ser são é aquele que está consigo
Em silêncio
E de o tão bem estar,
Desaparece e só vê e sente o mundo que lhe aparece, nu.
O ser são é aquele
Que se junta à natureza
(Sua suprema-mãe).
Junta-se a esta ode de existência
Que não tem razão
Mas por isso mesmo é tão mais bela e inocente.
Há vida,
O resto pouco ou nada interessa.
Na rua do nunca amanhecer
Olho em frente,
Escondido à janela da casa
Que não tenho.
Vivo aqui,
Ela é de alguém
E eu sou assim.
No silencio constante
De poder ser a qualquer minuto
Vou não sendo,
Adiando o próximo minuto
Como se de hora se tratasse.
Vivo calmo e tenho tempo para oferecer,
Coisa valiosa é o tempo…
Enquanto que no café,
Ali à frente,
Se grita o não-Futuro,
Eu falo presente como se de deus se tratasse.
Vêem pouco à minha beira
Os fregueses meus vizinhos,
Não sei se por timidez,
Se por me estranharem.
Lembro-me de um presente antigo
Que vivi intensamente com todas as células de meu ser…
Lembro-o com saudade
E o trago para meu agora presente
Enternecidamente.
Que meu futuro não conheço
E passado um outro presente,
Sou aquilo que não se define
Por nunca estar parado,
Isto é, sou presente.
Olho em frente,
Escondido à janela da casa
Que não tenho.
Vivo aqui,
Ela é de alguém
E eu sou assim.
No silencio constante
De poder ser a qualquer minuto
Vou não sendo,
Adiando o próximo minuto
Como se de hora se tratasse.
Vivo calmo e tenho tempo para oferecer,
Coisa valiosa é o tempo…
Enquanto que no café,
Ali à frente,
Se grita o não-Futuro,
Eu falo presente como se de deus se tratasse.
Vêem pouco à minha beira
Os fregueses meus vizinhos,
Não sei se por timidez,
Se por me estranharem.
Lembro-me de um presente antigo
Que vivi intensamente com todas as células de meu ser…
Lembro-o com saudade
E o trago para meu agora presente
Enternecidamente.
Que meu futuro não conheço
E passado um outro presente,
Sou aquilo que não se define
Por nunca estar parado,
Isto é, sou presente.
Encalço enorme
Do som de meu reino.
Quem me viu desaparecer…
Árvores sagradas derrubadas
Em amargura de ter de sobreviver
Queimando-as em calor no frio gélido da noite.
Porque me decidi a ir embora?
Quem me deixou fazer tal idiotice?
Sonho alto e vivo no inferno
Não me tenho meio
Pois ninguém me ouve ou compreende.
Sou assim, só, infelizmente.
Do som de meu reino.
Quem me viu desaparecer…
Árvores sagradas derrubadas
Em amargura de ter de sobreviver
Queimando-as em calor no frio gélido da noite.
Porque me decidi a ir embora?
Quem me deixou fazer tal idiotice?
Sonho alto e vivo no inferno
Não me tenho meio
Pois ninguém me ouve ou compreende.
Sou assim, só, infelizmente.
Quem demais precisa
Que uma bela rapariga
E o espaço e tempo
Para a apreciar?
Não me findo nela,
Nesta minha escrita, não.
Ela é só a base de toda e qualquer criação.
Já que a criação é feminina,
Existe deveras um acto de fecundação
Invés de físico, mental
E invés de duas pessoas
Apenas uma usa, invocando a outra
No acto de inspiração.
É deusa estou certo
E não Deus quem me faz criar
E fingindo-me eu
De Deus por trémulos instantes
Formamos um belo casal silencioso
Que ao namorar inventa arte.
Não nos possuímos,
Encontramo-nos,
Somos, enfim, espaçosos amantes.
Que uma bela rapariga
E o espaço e tempo
Para a apreciar?
Não me findo nela,
Nesta minha escrita, não.
Ela é só a base de toda e qualquer criação.
Já que a criação é feminina,
Existe deveras um acto de fecundação
Invés de físico, mental
E invés de duas pessoas
Apenas uma usa, invocando a outra
No acto de inspiração.
É deusa estou certo
E não Deus quem me faz criar
E fingindo-me eu
De Deus por trémulos instantes
Formamos um belo casal silencioso
Que ao namorar inventa arte.
Não nos possuímos,
Encontramo-nos,
Somos, enfim, espaçosos amantes.
Niilismo a busca da verdade.
Anarquia a busca do presente.
Filosofia a busca do sempre.
Ciência a busca do nunca.
Poesia a busca de união.
Eu busco a possibilidade
Da ausência de necessidade
De todas estas doutrinas.
Busco-me,
E assim,
Busco o universo.
Nisto, não há
Arte, ciência nem filosofia,
Só entrega, prática e inteligência.
Busco o fim do que sou,
Para a partir daí me iniciar.
Anarquia a busca do presente.
Filosofia a busca do sempre.
Ciência a busca do nunca.
Poesia a busca de união.
Eu busco a possibilidade
Da ausência de necessidade
De todas estas doutrinas.
Busco-me,
E assim,
Busco o universo.
Nisto, não há
Arte, ciência nem filosofia,
Só entrega, prática e inteligência.
Busco o fim do que sou,
Para a partir daí me iniciar.
O que admiro em Fernando Pessoa,
E superiores semelhantes,
É a entrega desprovida de armas ou conclusões
Com que se lançam ao escuro do inconsciente,
Para o real da irrealidade além corpo ou espaço...
Sem armas, sem protagonismo,
Se lançam ao universo seguros de irem, de bem,
Por não carregarem “pesos”,
Que de outra forma ameaçariam o “incógnito”.
Vão sós, vão vazios,
Entregues ao desconhecido,
Com o seguro amor à curiosidade.
E superiores semelhantes,
É a entrega desprovida de armas ou conclusões
Com que se lançam ao escuro do inconsciente,
Para o real da irrealidade além corpo ou espaço...
Sem armas, sem protagonismo,
Se lançam ao universo seguros de irem, de bem,
Por não carregarem “pesos”,
Que de outra forma ameaçariam o “incógnito”.
Vão sós, vão vazios,
Entregues ao desconhecido,
Com o seguro amor à curiosidade.
Proíbam-me de viver!
Não sei como mas proíbam-me de viver!
(Mantendo-me obviamente vivo.)
Fechem-me num quarto,
Ponham-me doente, de cama,
Digam que sou louco
E me atestem uma cela.
Proíbam-me de viver!
Quero sentir e viver parado,
Estético, estático,
Parado!
Quero que não haja
Possibilidade alguma
De viver ou ser livre.
Preciso saber o que é isso!
Não sei como mas proíbam-me de viver!
(Mantendo-me obviamente vivo.)
Fechem-me num quarto,
Ponham-me doente, de cama,
Digam que sou louco
E me atestem uma cela.
Proíbam-me de viver!
Quero sentir e viver parado,
Estético, estático,
Parado!
Quero que não haja
Possibilidade alguma
De viver ou ser livre.
Preciso saber o que é isso!
E existo criado,
Não por mim mas por algo,
Que me faz momentâneos
Golpes de estado.
Existo esquecido do que fui e era
E lembrado sempre
De que me sirvo
Acima de tudo.
(mas) não a mim,
Sim, a um algo.
Ao ler o que escrevi,
Quando ainda vivia,
Aprecio a inocência
De se exprimir
O que se vai vivendo…
Hoje não vivo
Mas penso,
Analiso, e quem sabe
Invento vida.
Pois de ler o que escrevi,
Comparando com o que escrevo,
Antes escrevia vida
Hoje pensamento.
Sou, enfim,
Criador de mim,
Não de arte mas de, sim, existência.
Não por mim mas por algo,
Que me faz momentâneos
Golpes de estado.
Existo esquecido do que fui e era
E lembrado sempre
De que me sirvo
Acima de tudo.
(mas) não a mim,
Sim, a um algo.
Ao ler o que escrevi,
Quando ainda vivia,
Aprecio a inocência
De se exprimir
O que se vai vivendo…
Hoje não vivo
Mas penso,
Analiso, e quem sabe
Invento vida.
Pois de ler o que escrevi,
Comparando com o que escrevo,
Antes escrevia vida
Hoje pensamento.
Sou, enfim,
Criador de mim,
Não de arte mas de, sim, existência.
A sentir-me um zero de repente.
Tudo me é bruto e agressivo,
A cara triste do trabalhador,
Os carros a passar impunes ao barulho
Que atinge os ouvidos do pensador
Que se sente um zero.
Há tanto a dizer, fica sempre tanto por dizer,
Que só o amor pode parar o ímpeto sexual
Do meu intelecto.
Por favor, deixem-me ser como vós
Inútil e trabalhador.
“Palrador” do que lhe chateia no dia-a-dia,
Não sonhador,
Anulador de toda e qualquer fantasia.
Ai deixem-me ser como vós,
Porque me não dão um trabalho?
Querem-me pensador é isso?
Ai por favor deixem-me ser só corpo,
Dêem-me trabalho que estou louco!
Se se visse o tamanho das catedrais que criei cá dentro…
Se soubessem o quanto flui este meu mundo…
Me deixariam em paz e sossego.
Onde está a premissa de amanhã
E a falácia de ontem?
Parece que morro se me falarem,
Parece que me fico líquido se me reconhecerem.
Porquê?
O acto voluntário da loucura
Para em si surgir
Toda e qualquer salvação
Que é simples e fala bebé.
Porque me fico entre estes seres
Se mais sou semelhante a não sei quê?
Sou louco, louco
E ninguém me cura
Ou me tira daqui!
Todos me deixam onde estou
Sorrindo na minha cara.
“Que engraçado”
Dizem todos,
Como se fosse menino.
Só vêem corpo
E aí, embora que já homem,
Sou, sim, ainda menino.
Mas, porra,
Na mente sou um monstro
Que confunde
Deus e Diabo
Como vozes da mesma cela!
Porque me deixam aqui, só e sozinho?
Porque não me mandam para longe
Ou me obrigam a ficar perto?
É que no meio
É que não dá,
Sou extremo a todo o custo
O equilíbrio é o dom dos viventes,
Eu vivo morto
Para salvar minha criança
Que vai fugindo
Pelas ruas estreitas
E escuras do passado.
Então, mas é assim,
Eu escrevo e tu me safas de dinheiro,
Pode ser?
Eu enlouqueço mais e mais
E tu vais,
Enriquecendo e dando-me os trocos sim?
Ai, arranjem-me um agente!
Um produtor,
Um actor os tem,
Um cineasta também,
E eu o não devo ter?
Sou mais precioso!
A minha arte é que tem minha vida.
Eu de corpo mantenho só as esmolas
Que vou colhendo, por aí, submisso.
Transfiro a vida
Que deus me dá ao corpo,
Directamente,
Para minha criação
E é ela que vive,
Não eu.
Queria ser pequeno e entretido.
Não me deixaram,
Fiquei louco.
Pois com certeza,
Indignado com o meterem-se na minha vida
Sem serem chamados!
Ai, o que é a vida?
Em pequeno me questionava
Como pode o ser humano
Se sentir efectivamente perdido…
Hoje o estou e,
Por ridículo que pareça,
Não estou surpreendido,
Antes, curioso.
Ridículo, ridículo.
Louco,
Sou louco!
Tinha o meu quartinho sossegado,
Tudo era certo e rotina.
Agora, tenho uma puta de mundo inteiro ás costas,
A me pedir direcções!
Mas eu só sei onde é meu quarto! – Grito eu, mentindo.
Mantenho-me assim,
Quando eles se foram,
A escrever o que eles queriam ouvir
Mas eu não queria dizer.
Ai, o relance ao mudar da página:
Que estou vivo e sou “aquele”.
Saí da arte por momentos.
Que perigo
Sair deste estado de loucura abrangente
Que me espalha por todo o lado
Porque de momento nada sou.
Não ouviria se me falassem,
Não admitiria ousadias exteriores a mim.
Se tivesse uma arma
Mataria,
Se tivesse um cavalo fugiria.
É tudo assim, disposto á minha loucura.
Ela me serve,
Eu a sirvo,
E vou vivendo assim.
Não sei bem como,
É sincero,
Mas meu corpo
Lá me vai tolerando
Mantendo-se-me vivo.
Hoje também lhe presto mais culto
Através do desporto.
Mas isto, só assim foi,
Porque ele me andava deveras a matar
E efectivamente haveria de o conseguir,
Com minha vontade
De só viver mente.
E agora, á sequencia
De que fui pedir e buscar outra Sagres,
Me proponho a dizer que sem álcool
Não haveria jamais Ocidente!
Então álcool,
Aliado ao que se fez de Cristo,
Temos produto mais inflamável e explosivo
Que a gasolina
Para incinerar toda a humanidade.
É que “o feitiço vira-se contra o feiticeiro”
E esta, Jesus ainda a não conhecia
Quando ousadamente falou
Sua bela sabedoria.
Sabendo ele o que tinha feito ao falar,
Olhando ele,
O que lhe fizemos ás palavras,
Seria mudo até morrer,
Casado com uma das demais
Prostitutas
Com as quais convivia.
Vive-se o sonho,
E eu de tanto sonhar
Quando me mexo na realidade
Gostaria de efectivamente vivê-la,
Mas não, não consigo.
Logo me metem símbolos á frente
Coisas a passar rápido e a
Fazer imenso barulho,
Caras de humanos
Que já o não são.
Loucura!
Ah sim!
Afinal não sou eu que estou louco não!
É o mundo!
Ah sim, agora vejo,
Perdido de louco
É o mundo!
Ah sim!
Eu estou apenas a ser
A sua momentânea
Expressão em escrita.
Porque eu, eu não sou nada,
Minha criação é tudo,
E ando no meio
Disto atordoado
E isto só dentro de mim!
Isto só dentro de mim!
Ah sim,
Ah sim,
Também estou louco e sou louco!
Estou ou sou?
Estar neste momento,
Ou ser de base louco?
Não,
De facto,
De base sou não-louco,
Portanto estou louco.
Sim é isso,
Estou louco,
Não o sou.
Estou,
Estou louco
Mas só neste momento,
Momentaneamente falando,
Estou sendo louco,
Não estou, sou.
Tudo me é bruto e agressivo,
A cara triste do trabalhador,
Os carros a passar impunes ao barulho
Que atinge os ouvidos do pensador
Que se sente um zero.
Há tanto a dizer, fica sempre tanto por dizer,
Que só o amor pode parar o ímpeto sexual
Do meu intelecto.
Por favor, deixem-me ser como vós
Inútil e trabalhador.
“Palrador” do que lhe chateia no dia-a-dia,
Não sonhador,
Anulador de toda e qualquer fantasia.
Ai deixem-me ser como vós,
Porque me não dão um trabalho?
Querem-me pensador é isso?
Ai por favor deixem-me ser só corpo,
Dêem-me trabalho que estou louco!
Se se visse o tamanho das catedrais que criei cá dentro…
Se soubessem o quanto flui este meu mundo…
Me deixariam em paz e sossego.
Onde está a premissa de amanhã
E a falácia de ontem?
Parece que morro se me falarem,
Parece que me fico líquido se me reconhecerem.
Porquê?
O acto voluntário da loucura
Para em si surgir
Toda e qualquer salvação
Que é simples e fala bebé.
Porque me fico entre estes seres
Se mais sou semelhante a não sei quê?
Sou louco, louco
E ninguém me cura
Ou me tira daqui!
Todos me deixam onde estou
Sorrindo na minha cara.
“Que engraçado”
Dizem todos,
Como se fosse menino.
Só vêem corpo
E aí, embora que já homem,
Sou, sim, ainda menino.
Mas, porra,
Na mente sou um monstro
Que confunde
Deus e Diabo
Como vozes da mesma cela!
Porque me deixam aqui, só e sozinho?
Porque não me mandam para longe
Ou me obrigam a ficar perto?
É que no meio
É que não dá,
Sou extremo a todo o custo
O equilíbrio é o dom dos viventes,
Eu vivo morto
Para salvar minha criança
Que vai fugindo
Pelas ruas estreitas
E escuras do passado.
Então, mas é assim,
Eu escrevo e tu me safas de dinheiro,
Pode ser?
Eu enlouqueço mais e mais
E tu vais,
Enriquecendo e dando-me os trocos sim?
Ai, arranjem-me um agente!
Um produtor,
Um actor os tem,
Um cineasta também,
E eu o não devo ter?
Sou mais precioso!
A minha arte é que tem minha vida.
Eu de corpo mantenho só as esmolas
Que vou colhendo, por aí, submisso.
Transfiro a vida
Que deus me dá ao corpo,
Directamente,
Para minha criação
E é ela que vive,
Não eu.
Queria ser pequeno e entretido.
Não me deixaram,
Fiquei louco.
Pois com certeza,
Indignado com o meterem-se na minha vida
Sem serem chamados!
Ai, o que é a vida?
Em pequeno me questionava
Como pode o ser humano
Se sentir efectivamente perdido…
Hoje o estou e,
Por ridículo que pareça,
Não estou surpreendido,
Antes, curioso.
Ridículo, ridículo.
Louco,
Sou louco!
Tinha o meu quartinho sossegado,
Tudo era certo e rotina.
Agora, tenho uma puta de mundo inteiro ás costas,
A me pedir direcções!
Mas eu só sei onde é meu quarto! – Grito eu, mentindo.
Mantenho-me assim,
Quando eles se foram,
A escrever o que eles queriam ouvir
Mas eu não queria dizer.
Ai, o relance ao mudar da página:
Que estou vivo e sou “aquele”.
Saí da arte por momentos.
Que perigo
Sair deste estado de loucura abrangente
Que me espalha por todo o lado
Porque de momento nada sou.
Não ouviria se me falassem,
Não admitiria ousadias exteriores a mim.
Se tivesse uma arma
Mataria,
Se tivesse um cavalo fugiria.
É tudo assim, disposto á minha loucura.
Ela me serve,
Eu a sirvo,
E vou vivendo assim.
Não sei bem como,
É sincero,
Mas meu corpo
Lá me vai tolerando
Mantendo-se-me vivo.
Hoje também lhe presto mais culto
Através do desporto.
Mas isto, só assim foi,
Porque ele me andava deveras a matar
E efectivamente haveria de o conseguir,
Com minha vontade
De só viver mente.
E agora, á sequencia
De que fui pedir e buscar outra Sagres,
Me proponho a dizer que sem álcool
Não haveria jamais Ocidente!
Então álcool,
Aliado ao que se fez de Cristo,
Temos produto mais inflamável e explosivo
Que a gasolina
Para incinerar toda a humanidade.
É que “o feitiço vira-se contra o feiticeiro”
E esta, Jesus ainda a não conhecia
Quando ousadamente falou
Sua bela sabedoria.
Sabendo ele o que tinha feito ao falar,
Olhando ele,
O que lhe fizemos ás palavras,
Seria mudo até morrer,
Casado com uma das demais
Prostitutas
Com as quais convivia.
Vive-se o sonho,
E eu de tanto sonhar
Quando me mexo na realidade
Gostaria de efectivamente vivê-la,
Mas não, não consigo.
Logo me metem símbolos á frente
Coisas a passar rápido e a
Fazer imenso barulho,
Caras de humanos
Que já o não são.
Loucura!
Ah sim!
Afinal não sou eu que estou louco não!
É o mundo!
Ah sim, agora vejo,
Perdido de louco
É o mundo!
Ah sim!
Eu estou apenas a ser
A sua momentânea
Expressão em escrita.
Porque eu, eu não sou nada,
Minha criação é tudo,
E ando no meio
Disto atordoado
E isto só dentro de mim!
Isto só dentro de mim!
Ah sim,
Ah sim,
Também estou louco e sou louco!
Estou ou sou?
Estar neste momento,
Ou ser de base louco?
Não,
De facto,
De base sou não-louco,
Portanto estou louco.
Sim é isso,
Estou louco,
Não o sou.
Estou,
Estou louco
Mas só neste momento,
Momentaneamente falando,
Estou sendo louco,
Não estou, sou.
Teu guerreiro,
Minha pétala amada.
Ser Julieta!
Abram chuveiros
E sarjetas,
Sonhos e corações,
A vida caminha sem mim,
É dela mesma, da vida!
Teu ídolo
Minha dor,
És minha e não sou teu!
O amor imenso de o poder não ter!
Certeza que te vejo amanhã,
Todo o meu passado redescoberto
Com flores em todo o canto,
Calçada incluída!
Abram alas que a febre que o amor provoca na vida solitária vai passar!
Santo Agostinho,
Cores berrantes,
Mar aceso em brilhantes de lua,
Eu, coração feito em silêncio de entrega!
Chega-te a mim, indo ali!
Vulcões e sanções,
Sucessivos e sobrepostas analizações vividas com o corpo,
Desespero físico da mente!
Lua a dentro, te durmo nos lençóis
E és minha e eu não sou teu!
Ter amor e não o ter,
Que liberdade hã?
Serei para ti como um herói partido em desafogo
Abandonado pela conquista!
Ruas acima,
Que me mandem “água vai”
Que dela farei vinho,
Como o jovem Jesus,
E seremos todos primos e irmãos noite dentro.
Lá fora o sono e o cansaço,
Dentro a musica de não os ter!
Cais em mim que nem elefante
E és pardal de estatura,
Com uma racha virginal,
Que me soletra cuidadosamente a existência!
Queimaram-me a coerência!
Mas que se dane!
À frente há novo a ser,
Que ainda não me tenho de não suceder.
Sou trono vazio da minha consciência,
Me dentro só inteligência,
O que eu sou está longe de mim
Em terras que ainda não conheci!
Ai, mas sim,
Tu fábula de tempos vermelhos
Dá-me a mão,
Afinal escrevia para ti
E te logo roubei protagonismo.
Me desculpe fêmea divinal,
É de ser criança ainda.
Joga-me ao ar como filho teu
E daí te nascerei Homem
Com pila como bengala!
Fala-me de ti…
Oh, já me esqueci,
És minha e não sou teu.
Trá-lá-lá-lá-lá
Abram portas e sarjetas,
Tendões e silhuetas,
Que estou vivo e assim me quero!
Arre!
Minha pétala amada.
Ser Julieta!
Abram chuveiros
E sarjetas,
Sonhos e corações,
A vida caminha sem mim,
É dela mesma, da vida!
Teu ídolo
Minha dor,
És minha e não sou teu!
O amor imenso de o poder não ter!
Certeza que te vejo amanhã,
Todo o meu passado redescoberto
Com flores em todo o canto,
Calçada incluída!
Abram alas que a febre que o amor provoca na vida solitária vai passar!
Santo Agostinho,
Cores berrantes,
Mar aceso em brilhantes de lua,
Eu, coração feito em silêncio de entrega!
Chega-te a mim, indo ali!
Vulcões e sanções,
Sucessivos e sobrepostas analizações vividas com o corpo,
Desespero físico da mente!
Lua a dentro, te durmo nos lençóis
E és minha e eu não sou teu!
Ter amor e não o ter,
Que liberdade hã?
Serei para ti como um herói partido em desafogo
Abandonado pela conquista!
Ruas acima,
Que me mandem “água vai”
Que dela farei vinho,
Como o jovem Jesus,
E seremos todos primos e irmãos noite dentro.
Lá fora o sono e o cansaço,
Dentro a musica de não os ter!
Cais em mim que nem elefante
E és pardal de estatura,
Com uma racha virginal,
Que me soletra cuidadosamente a existência!
Queimaram-me a coerência!
Mas que se dane!
À frente há novo a ser,
Que ainda não me tenho de não suceder.
Sou trono vazio da minha consciência,
Me dentro só inteligência,
O que eu sou está longe de mim
Em terras que ainda não conheci!
Ai, mas sim,
Tu fábula de tempos vermelhos
Dá-me a mão,
Afinal escrevia para ti
E te logo roubei protagonismo.
Me desculpe fêmea divinal,
É de ser criança ainda.
Joga-me ao ar como filho teu
E daí te nascerei Homem
Com pila como bengala!
Fala-me de ti…
Oh, já me esqueci,
És minha e não sou teu.
Trá-lá-lá-lá-lá
Abram portas e sarjetas,
Tendões e silhuetas,
Que estou vivo e assim me quero!
Arre!
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Numa qualquer certeza
Alheia á realidade
Ele previa seu futuro momentâneo
Em sonhos que tocavam céu
E com sua vontade
Tendiam a tocar a terra.
Imprevisível foi a descoberta
Que de nada que se vê
É tudo o que se pensa
E neste andar e lembrar
Está a construção
De um velho futuro lar.
Onde foi que pararam a certeza?
Ela não pode ser julgada
Como toda a verdade.
Incubado em qualquer cérebro
Está o filho menino de sua mãe que vivia sorrindo.
Assim nada mais há senão o ouvir
E nisto persistir em ser o que ele pede para ser.
Longe da comunhão
Está o ideal da concretização,
Assim deve-se viver sonhando
Até poder viver o sonho.
Adormecer em si, acordar ainda sonhando
E aos poucos ao sabor da vida ir despertando.
Alheia á realidade
Ele previa seu futuro momentâneo
Em sonhos que tocavam céu
E com sua vontade
Tendiam a tocar a terra.
Imprevisível foi a descoberta
Que de nada que se vê
É tudo o que se pensa
E neste andar e lembrar
Está a construção
De um velho futuro lar.
Onde foi que pararam a certeza?
Ela não pode ser julgada
Como toda a verdade.
Incubado em qualquer cérebro
Está o filho menino de sua mãe que vivia sorrindo.
Assim nada mais há senão o ouvir
E nisto persistir em ser o que ele pede para ser.
Longe da comunhão
Está o ideal da concretização,
Assim deve-se viver sonhando
Até poder viver o sonho.
Adormecer em si, acordar ainda sonhando
E aos poucos ao sabor da vida ir despertando.
Num andarilho sujo do fim da calçada
Junto á mesa de estar da rua dos descobridores
Está o sol reflectido em imensidão momentânea.
As crianças á porta, brincam a consciência dos avós
E a repressão de seus pais
Num domingo eterno tão igual aos outros.
Fala-se, come-se, bebe-se,
É almoço e a ordem do dia é conviver,
Amanhã trabalho hoje descanso.
Férias imensas num só dia,
Isso é domingo,
Um dia em nada igual aos outros.
Aprisionado entre
A libertação de sábado e a repressão de segunda,
Um dia que não chega nunca a ser,
Pois dividido entre duas perspectivas
Demais opostas.
Um dia que quanto mais bonito
Mais dói
Lembrando o que foi e o que poderia ter sido.
Fica-se vivendo o dia, desejando-o viver,
Desejando-o esquecer.
Domingo é como Deus:
Aprisionado entre o
Racional e o irracional,
O civilizado e o primitivo,
O consciente e o inconsciente,
Livre de regras é caos subentendido.
Junto á mesa de estar da rua dos descobridores
Está o sol reflectido em imensidão momentânea.
As crianças á porta, brincam a consciência dos avós
E a repressão de seus pais
Num domingo eterno tão igual aos outros.
Fala-se, come-se, bebe-se,
É almoço e a ordem do dia é conviver,
Amanhã trabalho hoje descanso.
Férias imensas num só dia,
Isso é domingo,
Um dia em nada igual aos outros.
Aprisionado entre
A libertação de sábado e a repressão de segunda,
Um dia que não chega nunca a ser,
Pois dividido entre duas perspectivas
Demais opostas.
Um dia que quanto mais bonito
Mais dói
Lembrando o que foi e o que poderia ter sido.
Fica-se vivendo o dia, desejando-o viver,
Desejando-o esquecer.
Domingo é como Deus:
Aprisionado entre o
Racional e o irracional,
O civilizado e o primitivo,
O consciente e o inconsciente,
Livre de regras é caos subentendido.
Na janela, de flores no regaço
A luz nasce dela e a cor é-lhe sorriso.
Há um silencio que nasce de seu olhar
E um reconhecer aroma que parece até afecto
Que não o é deveras,
Esse lhe é negro
Em dias de sol…
Fica ela á janela
A olhar e pensa ela no que pensa
E quem passa e olha
Pensa o que quer…
É uma rua livre de burocracias,
Tudo livre no terreno fértil
Do cérebro português.
Caindo na calçada,
Vão jovens a andar e quem cai
Fica a olhar.
Em silencio ela sorri a quem passa,
A quem fica e todo o espaço
É dela e de quem a vê,
O mundo á volta a cair
E este a sorrir.
Silencio, há compreensão.
Fica quem vai
E vai quem fica.
A luz nasce dela e a cor é-lhe sorriso.
Há um silencio que nasce de seu olhar
E um reconhecer aroma que parece até afecto
Que não o é deveras,
Esse lhe é negro
Em dias de sol…
Fica ela á janela
A olhar e pensa ela no que pensa
E quem passa e olha
Pensa o que quer…
É uma rua livre de burocracias,
Tudo livre no terreno fértil
Do cérebro português.
Caindo na calçada,
Vão jovens a andar e quem cai
Fica a olhar.
Em silencio ela sorri a quem passa,
A quem fica e todo o espaço
É dela e de quem a vê,
O mundo á volta a cair
E este a sorrir.
Silencio, há compreensão.
Fica quem vai
E vai quem fica.
Espaço a criar.
E logo se o enche de matéria
Que dada significado humano
Perde a virilidade vital.
Prestes a acertar no alvo
Poiso o arco e sigo caminho.
Não me quero na vida destinada,
Sei-a certa, sei-a,
Se quisesse iria,
Não a quero.
Vou e vou,
Vou pelo caminho da minha curiosidade.
Acesa surpresa sou criança novamente.
Não sei para onde vou mas
Vou-me completo em frente.
Dois pés no chão?
Sinto-me longe do chão.
Logo me encolho
Filho de ventre,
Saudades,
Te escolho agora.
Ando de gatas e apesar de cansar sabe melhor!
Em breve diminuirei de tamanho
E desaparecerei
Pela a união de meu pai,
Minha mãe.
Serei o que nunca teria sido
Se não tivesse nascido.
E logo se o enche de matéria
Que dada significado humano
Perde a virilidade vital.
Prestes a acertar no alvo
Poiso o arco e sigo caminho.
Não me quero na vida destinada,
Sei-a certa, sei-a,
Se quisesse iria,
Não a quero.
Vou e vou,
Vou pelo caminho da minha curiosidade.
Acesa surpresa sou criança novamente.
Não sei para onde vou mas
Vou-me completo em frente.
Dois pés no chão?
Sinto-me longe do chão.
Logo me encolho
Filho de ventre,
Saudades,
Te escolho agora.
Ando de gatas e apesar de cansar sabe melhor!
Em breve diminuirei de tamanho
E desaparecerei
Pela a união de meu pai,
Minha mãe.
Serei o que nunca teria sido
Se não tivesse nascido.
Estamos sem pila nós europeus.
O cristianismo nos pôs uma folha à frente
E nós a materializámos
Com ousadas vestes que tanto escondem o que somos.
Viris,
Viris, homens viris!
E nos dizem para fazer dinheiro e funcionar com o computador…
Até os espermatozóides se suicidam
Não aguentando mais a falta
De recrutamento diário.
Ai homens, coitados de vós,
Sem pila nada são
E as mulheres
Coitadas delas
Que menos dadas á alienação da era económica
Demais se desvirtuam com o confronto
De seus homens sem pila!
(daí tanta paneleiragem, está tudo confuso!)
O cristianismo nos pôs uma folha à frente
E nós a materializámos
Com ousadas vestes que tanto escondem o que somos.
Viris,
Viris, homens viris!
E nos dizem para fazer dinheiro e funcionar com o computador…
Até os espermatozóides se suicidam
Não aguentando mais a falta
De recrutamento diário.
Ai homens, coitados de vós,
Sem pila nada são
E as mulheres
Coitadas delas
Que menos dadas á alienação da era económica
Demais se desvirtuam com o confronto
De seus homens sem pila!
(daí tanta paneleiragem, está tudo confuso!)
Entre o dia e a noite deambulo meu luar, esqueço o passado formulo o futuro e tudo o que me chama sabe meu nome: (meu nome) sussurra o vento e eu olho como que adormecido na realidade, acordo ao sonho que me guia por galhos de teias de aranha que ao som dos meus olhos reflectem luz de amanhãs existentes.
A noite me acorda, sim, é noite e todo o meu eu se flora em comunhão com o intelectual, jorra fantasia escrita em tinta azul.
Num presente translúcido a aurora é constante e as sílabas das horas não me existem, mas vejo quem por elas se verga e assim vai ficando corcunda, este corcunda que só eu sei, que só eu vejo.
A noite me acorda, sim, é noite e todo o meu eu se flora em comunhão com o intelectual, jorra fantasia escrita em tinta azul.
Num presente translúcido a aurora é constante e as sílabas das horas não me existem, mas vejo quem por elas se verga e assim vai ficando corcunda, este corcunda que só eu sei, que só eu vejo.
E parece que uma mentira
É mais doce
Que um doce dia.
Alegria, vem passando o comboio
Que me levará meus sonhos
Me deixando só com tudo o que sou.
Ai, além terra quero mar,
Reconhecer o passar e deixá-lo estar
No inconsequente delírio de o ser todo igual.
Chamas da vida paralelas
Á água salgada de meus olhos corajosos.
Foram-se de mim e nem os vi,
Arrancaram pedal em frente
Consumo estridente de gasolina!
Onde ficou a minha deveras crucial multiplatina androgenia de ser universal?
Canso-me de não me cansar.
Forças infinitas,
Não sono,
Não nada,
Só vida sempre me a jorrar
E eu sem a querer afogar
Ajudo-me a senti-la o mais que posso.
Além mar, já nova terra por desbravar
E lá sou estrangeiro
E ninguém me sabe o nome,
Deixam-me só, comigo,
Só,
Que alegria imensa, sou incógnito
Como imprescindivelmente
Me sinto intimamente,
Só e o nada me faz ser quem sou!
Nem há palavras meigas,
Só trocos de dinheiro e eu só,
Feliz de só!
Só na imensidão de espaço de meu ser interior
Vendo a fábrica humana em desenvolvimento.
Máquina deveras imperfeita
Mas tão exageradamente eficiente!
Ai, larguem-me nas engrenagens
Que meu sangue salva o mundo,
Ou a mim, só, só a mim.
É mais doce
Que um doce dia.
Alegria, vem passando o comboio
Que me levará meus sonhos
Me deixando só com tudo o que sou.
Ai, além terra quero mar,
Reconhecer o passar e deixá-lo estar
No inconsequente delírio de o ser todo igual.
Chamas da vida paralelas
Á água salgada de meus olhos corajosos.
Foram-se de mim e nem os vi,
Arrancaram pedal em frente
Consumo estridente de gasolina!
Onde ficou a minha deveras crucial multiplatina androgenia de ser universal?
Canso-me de não me cansar.
Forças infinitas,
Não sono,
Não nada,
Só vida sempre me a jorrar
E eu sem a querer afogar
Ajudo-me a senti-la o mais que posso.
Além mar, já nova terra por desbravar
E lá sou estrangeiro
E ninguém me sabe o nome,
Deixam-me só, comigo,
Só,
Que alegria imensa, sou incógnito
Como imprescindivelmente
Me sinto intimamente,
Só e o nada me faz ser quem sou!
Nem há palavras meigas,
Só trocos de dinheiro e eu só,
Feliz de só!
Só na imensidão de espaço de meu ser interior
Vendo a fábrica humana em desenvolvimento.
Máquina deveras imperfeita
Mas tão exageradamente eficiente!
Ai, larguem-me nas engrenagens
Que meu sangue salva o mundo,
Ou a mim, só, só a mim.
Era um passado,
Um passado que era como uma vida,
Já nem do dono precisava,
Existia por si
Um, sim…um passado.
Alheio a tudo o que vejo, sinto
Sigo em frente.
Aparecem-me coisas pelo meio da realidade
Que me dizem que estou vivo e sou “aquele”
Mas como hoje sigo em frente
Tudo isso rápido se dissipa em um sonho
Confuso que não sei se real.
Interrompem-me de meu sonho
E me já não chateio.
Continuo sonhando
E não há bandeira nem terra,
Há um planar que não tem qualquer
Ideia de o ser,
Vai indo sem disso se entender
Só a isso, sim, se propondo.
Um passado que era como uma vida,
Já nem do dono precisava,
Existia por si
Um, sim…um passado.
Alheio a tudo o que vejo, sinto
Sigo em frente.
Aparecem-me coisas pelo meio da realidade
Que me dizem que estou vivo e sou “aquele”
Mas como hoje sigo em frente
Tudo isso rápido se dissipa em um sonho
Confuso que não sei se real.
Interrompem-me de meu sonho
E me já não chateio.
Continuo sonhando
E não há bandeira nem terra,
Há um planar que não tem qualquer
Ideia de o ser,
Vai indo sem disso se entender
Só a isso, sim, se propondo.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Assaz surpresa, gira alta nobreza.
Há que saltar a vedação da mediocridade
E ver com olhos virgens os horizontes promissores.
Que de vida há tudo aberto,
Que de nada há porta fechada lá fora
Que não possa ser aberta pela
Ausência de porta interior.
Nómada do mental.
A vida pode ser privada
Mas de terra se construirá a catedral
Imensa que se pisa,
Fazendo-a ao som da caminhada.
Despertam tigres e leões na savana,
O grito de selva ruge na cidade horrorizando-a;
Já não mais há conversa por escrito,
Agora o há sons íntimos
Que só quem os já ouviu em sonhos
Pode compreender
E assim responder.
Massa heterogénea de virilidade.
Caga a merda que te ensinaram
E barra o pão com sentimento
Que alimenta bem mais!
Foram longe,
Eu sei,
Foram longe,
Mas deixaram-se lá pra trás.
Lá à frente há o futuro que é dos deuses
E também da vontade individual,
O resto é conversa evaporada.
…e parece que colhem de mim
Sua própria indiferença
Sorrindo perdidos
Ao meu encontro…
Quando se começa a existir em pleno
Se percebe que o mundo está ao contrário.
O medo turva a visão da vida e de tudo
Gerando números e muros
Para orientar a desorientação que os originou.
E ficamos nesta coisa de nos perguntar
Em noites escuras:
- Estarei vivo?
E o belo da questão
É que não há resposta,
Cada um tem de voltar á pergunta
E reformulá-la de uma outra forma,
Para ver o que acontece.
Assim se vai fazendo mais perguntas
Continuamente evoluindo
Para uma maior simplicidade.
Pois o que se “Sente” não fala português,
Então a pergunta tem que ser mais básica
Procurando a essência das intenções primitivas da vontade
Que originaram a língua que aproximou seres
Mas não o ser uno.
Esse é o único a descobrir,
O único que tem real importância na vida.
(Pois dele brota todo o mundo.)
Há que saltar a vedação da mediocridade
E ver com olhos virgens os horizontes promissores.
Que de vida há tudo aberto,
Que de nada há porta fechada lá fora
Que não possa ser aberta pela
Ausência de porta interior.
Nómada do mental.
A vida pode ser privada
Mas de terra se construirá a catedral
Imensa que se pisa,
Fazendo-a ao som da caminhada.
Despertam tigres e leões na savana,
O grito de selva ruge na cidade horrorizando-a;
Já não mais há conversa por escrito,
Agora o há sons íntimos
Que só quem os já ouviu em sonhos
Pode compreender
E assim responder.
Massa heterogénea de virilidade.
Caga a merda que te ensinaram
E barra o pão com sentimento
Que alimenta bem mais!
Foram longe,
Eu sei,
Foram longe,
Mas deixaram-se lá pra trás.
Lá à frente há o futuro que é dos deuses
E também da vontade individual,
O resto é conversa evaporada.
…e parece que colhem de mim
Sua própria indiferença
Sorrindo perdidos
Ao meu encontro…
Quando se começa a existir em pleno
Se percebe que o mundo está ao contrário.
O medo turva a visão da vida e de tudo
Gerando números e muros
Para orientar a desorientação que os originou.
E ficamos nesta coisa de nos perguntar
Em noites escuras:
- Estarei vivo?
E o belo da questão
É que não há resposta,
Cada um tem de voltar á pergunta
E reformulá-la de uma outra forma,
Para ver o que acontece.
Assim se vai fazendo mais perguntas
Continuamente evoluindo
Para uma maior simplicidade.
Pois o que se “Sente” não fala português,
Então a pergunta tem que ser mais básica
Procurando a essência das intenções primitivas da vontade
Que originaram a língua que aproximou seres
Mas não o ser uno.
Esse é o único a descobrir,
O único que tem real importância na vida.
(Pois dele brota todo o mundo.)
No inócuo subsídio
Que recebo dos genes,
Meu capital próprio
É minha mente,
Meu desejo.
De resto é tudo vosso,
Tudo visto, tudo por parecer,
Mas ser, sou eu
E vós não o hão de ver
Até eu querer.
Sangrando no chão da calçada
Está uma pomba atropelada,
Um reflexo de que por mais que se possa voar
À terra se tem de voltar.
Que recebo dos genes,
Meu capital próprio
É minha mente,
Meu desejo.
De resto é tudo vosso,
Tudo visto, tudo por parecer,
Mas ser, sou eu
E vós não o hão de ver
Até eu querer.
Sangrando no chão da calçada
Está uma pomba atropelada,
Um reflexo de que por mais que se possa voar
À terra se tem de voltar.
Além mistério, procura de um semelhante,
Elabora-me a mim mas não minha vizinhança
Ela me é submetida.
Além tristeza, ela me vem apanhar
Já que fico sentado
Á sua espera.
Além demora e o rio corre silencioso
Alheio a mim que o observa.
Coitado de mim e do que enfim conheci,
Deus mirrado, morte na vida,
Onde me sou humano agora?
O deus morreu, farto-me
De o dizer mas ainda me vou alimentando dele.
Triste tristeza procura sorriso e serenidade.
Além riqueza,
Além encontro.
Salta-me á vista bela terra prometida.
Em tempos pequeno fora um segredo
Depois me larguei no mundo
Até ele já nada me ter a dar o que eu queria
E morri pobre, pobrezinho, tenro.
Quem me dera uma mãe,
Uma moça morena que me sussurra-se
Malandrices ao ouvido
E eu ria enternecido.
Quem me ficou senão eu?
O meu vácuo virado
Do avesso sugando
Tudo de meu com a
Sede de morte na vida.
Alheio a tudo, persisto.
Elabora-me a mim mas não minha vizinhança
Ela me é submetida.
Além tristeza, ela me vem apanhar
Já que fico sentado
Á sua espera.
Além demora e o rio corre silencioso
Alheio a mim que o observa.
Coitado de mim e do que enfim conheci,
Deus mirrado, morte na vida,
Onde me sou humano agora?
O deus morreu, farto-me
De o dizer mas ainda me vou alimentando dele.
Triste tristeza procura sorriso e serenidade.
Além riqueza,
Além encontro.
Salta-me á vista bela terra prometida.
Em tempos pequeno fora um segredo
Depois me larguei no mundo
Até ele já nada me ter a dar o que eu queria
E morri pobre, pobrezinho, tenro.
Quem me dera uma mãe,
Uma moça morena que me sussurra-se
Malandrices ao ouvido
E eu ria enternecido.
Quem me ficou senão eu?
O meu vácuo virado
Do avesso sugando
Tudo de meu com a
Sede de morte na vida.
Alheio a tudo, persisto.
Avisto a calçada e o som do nada, tudo caminha,
Em breve jantar, 80% da população mundial frente à televisão:
“Gostaria de interromper esta programação para dizer que me sinto infeliz com o estado do mundo, que me sinto mal ao ver tanta gente infeliz.
Porque continuamos a lutar uma luta que não é a nossa mas dos economistas?
Vamos dizer-lhes que eles são feios e infantis, que queremos plantar o que comemos e dançar na noite quente celebrando as colheitas.
Vamos humanos que não nascemos para fazer dinheiro!
Em breve jantar, 80% da população mundial frente à televisão:
“Gostaria de interromper esta programação para dizer que me sinto infeliz com o estado do mundo, que me sinto mal ao ver tanta gente infeliz.
Porque continuamos a lutar uma luta que não é a nossa mas dos economistas?
Vamos dizer-lhes que eles são feios e infantis, que queremos plantar o que comemos e dançar na noite quente celebrando as colheitas.
Vamos humanos que não nascemos para fazer dinheiro!
sábado, 24 de julho de 2010
Eu meu lugar: mundo.
Assisto a tudo ileso profundo sorrindo ao cansaço,
Ando mais um pouco que me vem o dia.
A noite de mim persegue e eu fico fugindo dela
Sonhando o dia o mais que possa nesta pequena mente que me anuncia.
Se desespero me resigno, hoje de mim não fujo,
Não há nada a fugir,
Tenho em mim o mundo e dele me quero aqui.
Raio de sol me é absurdo, tento a luz da lua
E logo me acho imenso, conheço os espaços e reentrâncias
São meus e neles me sento como uma maçã
E vejo o espaço que não é muito.
Inalo o fumo da tristeza e expiro sonho,
Sou delicado no meu orgulho e nele sou sereno.
Preciso do ódio, preciso do amor,
Preciso ver o que não quero para saber o que sou.
Alistam-se ao longe os batalhões da conquista
Eu fico a olhar no canto escrevendo
Não por onde eles marcham mas por onde marcharam.
Assisto a tudo e me fico seguindo os passos, relatando,
Um amanha incerto que virá surpreso
Mas doce de apresso que de manhã eu chego.
Alisto-me, eu, na minha vida.
Camisa aos ombros sou eu e todo o meu mundo.
Assisto a tudo ileso profundo sorrindo ao cansaço,
Ando mais um pouco que me vem o dia.
A noite de mim persegue e eu fico fugindo dela
Sonhando o dia o mais que possa nesta pequena mente que me anuncia.
Se desespero me resigno, hoje de mim não fujo,
Não há nada a fugir,
Tenho em mim o mundo e dele me quero aqui.
Raio de sol me é absurdo, tento a luz da lua
E logo me acho imenso, conheço os espaços e reentrâncias
São meus e neles me sento como uma maçã
E vejo o espaço que não é muito.
Inalo o fumo da tristeza e expiro sonho,
Sou delicado no meu orgulho e nele sou sereno.
Preciso do ódio, preciso do amor,
Preciso ver o que não quero para saber o que sou.
Alistam-se ao longe os batalhões da conquista
Eu fico a olhar no canto escrevendo
Não por onde eles marcham mas por onde marcharam.
Assisto a tudo e me fico seguindo os passos, relatando,
Um amanha incerto que virá surpreso
Mas doce de apresso que de manhã eu chego.
Alisto-me, eu, na minha vida.
Camisa aos ombros sou eu e todo o meu mundo.
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